Suporte no Linux

Inicialmente, encontrei diversos problemas estranhos, como o notebook travando esporadicamente durante o boot e a placa wireless e o som sendo reconhecidos às vezes sim e às vezes não. Como comentei nos reviews anteriores sobre notebooks Acer, sobretudo no review do 5043 WLMI, a Acer é campeã no uso de BIOS bugados que apresentam problemas relacionados ao roteamento de IRQs e outros problemas no Linux.

Consegui solucionar o problema usando as mesmas opções de boot que são necessárias no 5043 WLMI: irqpoll noapic pci=biosirq.

Ao dar boot através do CD ou DVD, procure pela opção para inserir opções para o Kernel na tela de boot. Em muitas distribuições você só precisa digitar as opções diretamente, mas em outras você precisa pressionar uma tecla de atalho, como no caso do Ubuntu, onde você precisa pressionar a tecla F6. Adicione as opções no final da linha, sem alterar as demais opções:

index_html_m5f7bc03a

Fazendo isso, as opções continuarão sendo usadas após a instalação do sistema. Você pode também adicionar as opções com o sistema já instalado editando como root o arquivo “/boot/grub/menu.lst“, que contém as opções relacionadas ao gerenciador de boot. Nesse caso, adicione as opções no final da linha com as opções relacionadas ao Kernel (reinicie para que entrem em vigor), como em:

kernel /boot/vmlinuz-2.6.20-15-generic ro irqpool noapic pci=biosirq

Com o passar do tempo, é provável que os workarounds necessários seja incorporados diretamente ao Kernel e estas opções de boot deixem de ser necessárias, mas no Kubuntu 7.04, Ubuntu 7.04 e no Kurumin 7, o notebook é praticamente inutilizável sem elas, já que os periféricos funcionam de forma intermitente.

A placa de som usada no chipset ATI RS480 é suportada pelo ALSA a mais de dois anos, mas o suporte ainda é um pouco problemático. No Ubuntu e no Kubuntu 7.04 (que usam o o Kernel 2.6.20) o som sai apenas na saída do fone de ouvido, sem forma de fazer o sistema utilizar os speakers. No caso do Kurumin 7 (que usa o 2.6.17), os speakers funcionam, mas em compensação você não consegue desativá-los ao usar a saída do fone de ouvido. É provável que estes problemas sejam corrigidos em versões futuras do Alsa e, consequentemente, das distribuições, mas por enquanto é preciso conviver com o problema.

A placa wireless é uma Atheros AR5005G, que possui um suporte no Linux muito melhor do que as placas Broadcom (carinhosamente apelidadas de “Broadcrash”) usadas em muitos modelos de baixo custo. As placas com chipset Atheros são suportadas no Linux pelo driver Madwifi, disponível no: http://madwifi.org

O driver permite inclusive o uso do Kismet e de outros programas de diagnóstico e oferece uma boa estabilidade. O único problema é que ele inclui um componente proprietário (embora de livre distribuição), o que faz com que ele não seja incluído por padrão em algumas distribuições.

No caso do Ubuntu e Kubuntu 7.04, o driver é incluído no pacote “linux-restricted-modules”, que é instalado por padrão, mas a versão usada ainda não inclui suporte para a placa usada no Acer 5050, de forma que é necessário atualizar o driver manualmente.

Para isso, baixe o arquivo “madwifi-0.9.3.2.tar.gz” (ou a versão mais recente) no:

Para instalar, descompacte o arquivo, acesse a pasta que será criada e rode os comandos “make” e “make install”, esse último como root:

$ tar -zxvf madwifi-0.9.3.2.tar.gz
$ cd madwifi-0.9.3.2/
$ make
$ sudo make install

Durante a instalação ele vai avisar que encontrou módulos de uma instalação anterior e vai perguntar o que fazer com eles. Responda “r” (remove) para que eles sejam substituídos pela versão atual.

Vale lembrar que para compilar o driver, você precisa ter instaladas as bibliotecas de desenvolvimento, o que no caso do Ubuntu/Kubuntu é feito instalando o pacote “build-essential”.

Depois de reiniciar o micro, a placa deve ser ativada automaticamente. Caso não seja, carregue os módulos “ath_hal”, “ath_pci” e “acerhk” (que dá suporte ao botão que ativa o transmissor da rede) e tente novamente:

# modprobe ath_hal
# modprobe ath_pci
# acerhk

A partir daí a placa pode ser configurada por vias normais. Ela é vista pelo sistema como “ath0”. Em caso de dúvidas sobre como configurar a rede wireless no Linux, consulte o meu guia:
https://www.hardware.com.br/guias/configurando-wireless/

Uma dica é que o Kaffeine incluído no Kubuntu 7.04 não funciona em conjunto com a placa da ATI usada no 5050. Este não é propriamente um problema deste modelo, mas sim um bug desta versão do Kaffeine que se manifesta também em outras configurações.

A solução é instalar o Mplayer e o VLC e usar qual dos dois você preferir. Aproveite também para instalar o pacote libdvdcss2, necessário para assistir DVDs e também o w32codecs, que contém suporte a formatos de vídeo diversos.

Eles não estão disponíveis nos repositórios oficiais, mas é fácil encontrar repositórios alternativos que incluam os dois pacotes. No caso do Ubuntu ou Kubuntu 7.04, adicione a linha abaixo no arquivo /etc/apt/sources.list:

deb http://medibuntu.sos-sts.com/repo/ feisty free non-free

Rode em seguida o comando que instala a chave de autenticação:

$ sudo wget -q http://packages.medibuntu.org/medibuntu-key.gpg -O- | sudo apt-key add –

Agora é só atualizar a lista do apt e instalar os pacotes:

$ sudo apt-get update
$ sudo apt-get install mplayer vlc libdvdcss2 w32codecs

Como comentei, a câmera ainda não tem suporte no Linux, assim como o leitor de cartões incluído. Outros leitores, como os usados em muitos notebooks da Asus e da Toshiba funcionam através do módulo “sdhci”, mas não é o caso do leitor usado no Acer 5050. Se você pretende usar exclusivamente Linux no notebook, recomendo que não leve em conta estes dois acessórios na hora de comprar.

Com relação ao vídeo, você pode escolher entre usar o driver open source para placas ATI, que é bastante estável, mas em compensação ainda não oferece suporte 3D para a X1100 usada no Acer 5050, ou usar o driver proprietário da ATI, que não é tão estável, mas em troca oferece suporte 3D.

Se você não pretende realmente usar um ambiente 3D, nem pretende rodar jogos 3D no Linux, recomendo que fique com o driver open source, que é usado por padrão e é muito menos problemático. Como a AMD/ATI recentemente abriu o código fonte dos drivers para suas placas 3D, a qualidade do driver open source tende a melhorar rapidamente.

Para remapear a tecla “?/” do teclado, assim como fiz no meu, basta adicionar a linha abaixo no final do arquivo “/etc/bash.bashrc“:

xmodmap -e “keycode 117 = slash question”

Esse arquivo é carregado ao abrir o terminal, o que é satisfatório no meu caso, que sempre abro o terminal primeiro depois do boot.

Outra opção é criar um arquivo .desktop (o nome pode ser qualquer um, o importante é a extensão) dentro da pasta “/etc/xdg/autostart/“, com o seguinte conteúdo:

[Desktop Entry]

Encoding=UTF-8

Name=Remape-tecla

Exec=xmodmap -e “keycode 117 = slash question”

Terminal=true

Type=Application

Categories=

Com isso o comando que remapeia a tecla passa a ser executado automaticamente durante a abertura do ambiente gráfico.

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