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PiTiVi video editor previews rewritten core Autor original: Nathan Willis Publicado originalmente no: lwn.net Tradução: Roberto Bechtlufft A edição de vídeos no Linux deve ficar bem mais fácil para os usuários ainda este ano. O editor não linear de vídeos PiTiVi, baseado no GStreamer, lançou sua primeira versão pública desde que teve início uma expressiva reescrita de seu código. A versão 0.13.1 foi lançada no dia 27 de maio de 2009, e o usuário poderá notar algumas mudanças visualmente, mas o grosso mesmo está nas grandes melhorias na estrutura do programa, estabelecendo uma base para o próximo ciclo de desenvolvimento. A edição de vídeos continua sendo um assunto mal resolvido para os usuários do Linux. Dentre o punhado de aplicativos disponíveis para a tarefa, cada um tem sua cota de limitações, esquisitices na interface e problemas de estabilidade. O Kino, por exemplo, é bem versado na captura de vídeos DV de câmeras, mas usa uma interface nada familiar para um editor não linear de vídeos, sem a habitual linha do tempo, além de exigir uma etapa de renderização para cada título, transição ou efeito. O Kdenlive e o Cinelerra oferecem mais recursos, mas sofrem de problemas de instalação e estabilidade amplamente relatados. Já quanto ao PiTiVi, a principal crítica sempre foi à falta de funcionalidade. A reescrita da série 0.13, iniciada em 2008, promete mudar isso. O PiTiVi usa Python na interface de usuário e na lógica de alto nível, mas todo o processamento de áudio e vídeo, da reprodução aos filtros, fica por conta do GStreamer. Isso confere ao aplicativo um desempenho melhor, a capacidade de tirar vantagem das threads múltiplas do GStreamer e a independência de codecs e formatos de arquivos. Qualquer formato suportado pelo GStreamer também é suportado pelo PiTiVi, o que é conveniente para os usuários, e as distribuições podem incluir o aplicativo sem depender de pacotes de mídia sujeitos a problemas legais, como o FFmpeg. A abstração baseada em plugins do GStreamer, que permite ao PiTiVi funcionar independente de pacotes de codecs específicos (patenteados, comerciais, proprietários ou livres), já vem instalada e não depende da manutenção de um motor de reprodução especialmente configurado para evitar conflitos legais.
Os usuários vão perceber que o PiTiVi 0.13.1 tem suporte a camadas múltiplas na linha do tempo, permitindo a sobreposição simples de várias fontes de áudio e vídeo. Ele também aceita o uso de imagens estáticas como faixas de vídeo e é capaz de recortar clipes de áudio e vídeo pelo editor. Como se pode ver pelas fotos de "antes" (à esquerda) e "depois" (à direita), as formas de onda de áudio e as miniaturas de vídeo agora são usadas para representar faixas na linha do tempo, facilitando a distinção entre os clipes durante a edição. Mas além dessas mudanças visíveis, o trabalho mais substancial na série 0.13.x é a recriação do núcleo, que no futuro tornará o editor mais poderoso. Recriação
O desenvolvedor-chefe do PiTiVi, Edward Hervey, disse que o núcleo recriado do aplicativo reflete vários anos de feedback dos usuários e discussões com profissionais da edição de vídeos. "O design anterior era basicamente uma evolução de uma certa visão que eu tinha da edição de vídeos e do fluxo de trabalho em 2003." O design antigo incluía muitos recursos inseridos "à força" no código, e que atrasavam o aplicativo na hora de lidar com o fluxo de trabalho do mundo real, como os limites no número de faixas de áudio e vídeo e no número de camadas, além da capacidade de abrir apenas um projeto por vez. Um exemplo citado por Hervey é a representação interna da linha do tempo de edição. O núcleo antigo do PiTiVi estava ligado diretamente à linha do tempo oferecida pela biblioteca Gnolin (uma dependência do PiTiVi que implementa recursos de edição não linear, como os plugins do GStreamer), que limitava o uso a um objeto por fluxo e faixa. O novo núcleo acrescenta uma camada intermediária, permitindo vários objetos e faixas. A reescrita também é bem mais modular, facilitando a inclusão de novos recursos pelos desenvolvedores. Alguns dos recursos planejados para o ciclo 0.13.x incluem tarefas críticas de edição, como títulos, transições e efeitos, operações que já são possíveis com plugins do GStreamer. Hervey explica: Por exemplo, temos elementos de criação de títulos (que aceitam a entrada de texto, renderizam o texto com o Cairo/Pango em um quadro de vídeo e exibem esse quadro), temos elementos de mixagem de vídeos (para combinar vários fluxos), vários elementos para aplicar transparência/alfa a um fluxo de vídeo, alguns efeitos de vídeo (do EffecTV) [...] Mas mesmo possuindo todos esses elementos, ainda temos trabalho pela frente com o PiTiVi para que eles possam ser úteis aos usuários finais. Classificar os vários efeitos/operações é uma das nossas tarefas (para o GStreamer, não há muita diferença entre o balanço de cores, a mixagem de vídeos ou a aplicação de um efeito de vídeo bem descolado). Também temos que exibir as muitas propriedades desses efeitos de maneira voltada à edição, por vezes adicionando alguma interface para que essas propriedades sejam modificadas (um efeito de tela azul precisaria de uma caixa de diálogo com uma maneira de selecionar cores e de um modo de visualização). Brando Lewis, novato na equipe do PiTiVi, assumiu a maior parte do trabalho na interface de usuário, com a ajuda de Jean-Francois Tam. Como de costume, a equipe está tentando manter uma divisão clara entre o núcleo do aplicativo e sua interface, mas no caso do PiTiVi essa escolha tem implicações em sua capacidade de personalização. Hervey explicou que o objetivo é manter a interface de usuário a mais simples possível para que o programa possa ser usado por novatos, mas deixando espaço para o acréscimo de novas funcionalidades por meio de plugins. GstreamerO desenvolvimento do PiTiVi está ligado intrinsecamente ao desenvolvimento do GStreamer. Como Hervey explicou em uma entrevista ao Gnomedesktop.org, ele, Lewis e o desenvolvedor do núcleo do programa, Alessandro Decina, são empregados da Collabora Multimedia, que patrocina o contínuo trabalho no GStreamer, bem como de outros projetos de código aberto. Parte dos lucros da Collabora vem de trabalhos de consultoria que envolvem a construção de soluções de processamento e edição com o GStreamer, e isso torna importante a criação de um editor não linear confiável, já que ela influencia a direção que o GStreamer irá tomar. Um exemplo dessa influência é a noção de "segmentos" adicionada ao GStreamer 0.10. Os segmentos permitem ao PiTiVi registrar marcadores de entrada e saída para cada buffer de áudio e vídeo sem alterar o buffer em si, aumentando muito a velocidade do processo de reorganização de clipes na linha do tempo. "Antes, para fazer mudanças na sequência cronológica, nós tínhamos que modificar os carimbos de data e hora (timestamps) de todos os buffers. Já com os segmentos, nós podemos informar quando os buffers que se seguirão ao evento serão exibidos, a que velocidade etc..." Além disso, diz Hervey, o desenvolvimento do PiTiVi testa todos os plugins do GStreamer para certificar-se de que eles estejam em plena conformidade com a API, como por exemplo garantindo que todos os decodificadores possam decodificar com precisão de amostra. Além disso, como ocorre com qualquer projeto ligado ao GStreamer, a natureza modular desse framework de mídia significa que outros projetos podem aproveitar as melhorias que se originam no PiTiVi, e vice-versa. Como o PiTiVi representa um uso do GStreamer que difere do paradigma dos reprodutores de mídia, ele faz testes exaustivos com os plugins de maneiras diferentes. Próximas atrações no PiTiViO próximo marco de desenvolvimento do PiTiVi está previsto para julho, quando serão incluídos recursos essenciais como desfazer/refazer, combinações, composições e captura de vídeo. Como oficialmente trata-se de uma árvore de desenvolvimento, a equipe não está trabalhando para que a série 0.13.x seja incluída em nenhuma distribuição Linux. Até o novo PiTiVi ser incluído em alguma distribuição, os usuários interessados em testar as versões de desenvolvimento podem baixar e compilar os pacotes com o código fonte ou, se estiverem usando o Debian ou o Ubuntu, podem acessar os binários de desenvolvimento através do PPA do projeto. O PPA inclui pacotes atualizados do GStreamer e de seus plugins, do Gnolin e de outras dependências essenciais. Para compilar os fontes também é necessário cumprir com as dependências, e as instruções estão disponíveis no wiki do PiTiVi. Os editores não lineares de vídeo são criaturas complexas, e para muitos usuários de desktops livres, continua faltando um editor desse tipo que seja competente e estável. Como ele pode contar com o GStreamer para cuidar do pesado fardo do processamento de mídia, o PiTiVi tem mais chances do que a maioria dos projetos mais jovens de oferecer uma usabilidade confiável, e a julgar pela primeira versão do núcleo recém-reescrito da versão 0.13.1, ele parece estar caminhando muito bem nesse sentido. Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>
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