Carlos E. Morimoto
Citação:
Postado Originalmente por Carlos E. Morimoto
Vai tentar explicar como que o 10GbaseT transmite 10.000 megabits usando 800 megabauds a 400 MHz, usando um cabo cat 6 que suporta apenas 250 MHz... 
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Depois de escrever acabei me inspirando e resolvi encarar o desafio. Vai aqui a explicação sobre a máximo dos 10.000 megabits em cabos de par trançado
O 10GBaseCX-4 é um padrão mais barato que os baseados em cabos de fibra, já que não é necessário usar o transceiver (um componente bastante caro, que contém os transmissores e receptores ópticos). Mas, como era de se esperar, ele entrou em desuso com a popularização do padrão 10GBase-T (ou 802.3an), que é o padrão baseado em cabos de par trançado.
Inicialmente, falou-se no uso de cabos categoria 7 combinados com conectores TERA e no possível suporte a cabos de categoria 5a no padrão 10GBase-T, mas ambas as idéias acabaram sendo descartadas em favor dos cabos categoria 6 e categoria 6a.
Usar cabos categoria 5e no 10G exigiria um sistema de modulação muito complexo, que encareceria excessivamente as placas e switchs. Além disso, a distância seria muito curta (possivelmente algo próximo dos 15 metros do 10GBase-CX4), o que acabaria com a utilidade prática do padrão.
Para entender a dificuldade em criar um padrão 10G para cabos cat 5e, nada melhor do que entender um pouco melhor como o 10GBaseT funciona. Se você achou as explicações sobre o 100BaseTX e sobre o 1000BaseT complicadas, se prepare pois esta é ainda mais indigesta

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Você deve se lembrar que no 1000BaseT é usado o sistema PAM-5 de modulação, onde 5 sinais distintos são usados para transmitir 2 bits por baud (combinados com informações de controle). Com isso, os 1000 megabits são transmitidos em apenas 500 megabauds, 125 em cada um dos 4 pares de cabos.
O 10GBaseT adota um sistema de modulação bem mais complexo, o PAM-16 que, como o nome sugere, é baseado no uso de 16 sinais distintos em cada par, cada um representado por um nível de tensão diferente.
Originalmente, 16 estados permitiriam o envio de 4 bits por baud, por par mas, como de praxe, é necessário enviar também informações de controle, de forma que são transmitidos o equivalente a 3.125 bits por baud (3 bits e mais um bit adicional a cada 8 bauds), o que permite que os 10.000 megabits sejam transmitidos em apenas 3200 megabauds. Como os 4 pares de cabos são usados simultaneamente, temos então 800 megabauds por par de cabos.
Assim como no 1000BaseT, cada baud demora apenas meio ciclo para ser transmitido, o que reduz a freqüência de transmissão. Mesmo assim, os 800 megabauds resultam em uma freqüência de 400 MHz, muito além dos 100 MHz dos cabos cat 5.
Os próximos da lista são os cabos de categoria 6 suportam freqüências de até 250 MHz e são construídos dentro de normas muito mais estritas com relação à atenuação do sinal e ao crosstalk. Apesar da freqüência ser mais baixa que o exigido, foi possível incluir suporte a eles dentro do padrão, mas apenas para distâncias curtas, de apenas 55 metros.
Isso acontece por que a freqüência suportada pelo cabo não é um valor exato, mas sim a freqüência para a qual ele é certificado para transmissão a 100 metros. Um cabo cat 5 poderia transportar sinais a mais de 100 MHz, mas a atenuação faria com que eles não chegassem ao final dos 100 metros com uma qualidade aceitável. Reduzindo o comprimento do cabo, reduzimos a atenuação. No caso dos cabos cat 6, foi comprovado que eles são capazes de transmitir os sinais de 400 MHz do 10GBaseT, mas apenas a até 55 metros, daí a especificação.
Na prática, alguns cabos cat 5e que excedem a especificação também suportam a freqüência de 400 MHz em distâncias mais curtas. Se você tiver sorte, pode ter sucesso usando um cabo de 10 ou 20 metros por exemplo. Entretanto, padrões precisam funcionar "sempre" e não "às vezes" e justamente por isso os cat 5e foram removidos da especificação final.
Para que fosse possível o uso de cabos de até 100 metros, como nos padrões anteriores, foi criado o padrão cat 6a, que suporta freqüências de até 500 MHz e é baseado em normas ainda mais estritas... (o resto fica para a segunda parte do artigo.
