Acesso a redes Windows, usando o samba

Acesso a redes Windows, usando o samba
Mesmo no Linux, você pode acessar compartilhamentos de rede nas máquinas Windows da rede e criar novos compartilhamentos usando o Samba. Ele é dividido em dois módulos: o cliente, usado para acessar os compartilhamentos, e o servidor, usado para compartilhar arquivos com as outras máquinas da rede.

O cliente Samba (composto pelo pacote “smbclient”) pode ser encontrado pré-instalado na maioria das distribuições, incluindo naturalmente o Kurumin. O servidor, por outro lado, tem uma configuração mais complicada e não é instalado por padrão, para evitar qualquer possibilidade de problemas de segurança.

O smbclient é uma espécie de biblioteca, que pode ser usada por outros programas. Existem diversos clientes Samba, escritos nas mais variadas linguagens, mas o funcionamento de todos é muito similar. O próprio Konqueror pode ser usado para acessar os compartilhamentos. Para isso, use o endereço “smb://ip_do_servidor”, como em: smb://172.20.0.2. Ao acessar um compartilhamento no Windows XP e 2000 você precisa fornecer uma conta e senha de usuário para acessar. Será aberta uma janela pedindo o login e senha do servidor. Opcionalmente, você pode especificar o login de acesso diretamente no endereço, como em “smb://[email protected]”, e também acessar as máquinas Windows especificando diretamente o nome, ao invés do IP, como em “smb://servidor”.
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Uma particularidade do Konqueror é que ele não monta os compartilhamentos acessados, mas simplesmente os acessa como se estivesse mostrando uma página web ou ftp. Você transfere arquivos simplesmente arrastando, mas, ao clicar sobre um arquivo, ele pergunta se você quer salvá-lo no HD, ao invés de abri-lo diretamente, ou seja, para alterar um arquivo você precisa primeiro copiá-lo para uma pasta do HD, editá-lo e em seguida copiá-lo de volta para o servidor. Devido a isso, o Konqueror serve mais como uma solução rápida para transferir arquivos.

Se você quer uma solução mais completa, a melhor opção é o Smb4K, também encontrado em diversas distribuições. No Kurumin você encontra o ícone para ele no “Iniciar > Redes e Acesso remoto > Redes Windows”.

Ele usa uma interface bastante simples. O frame do lado esquerdo mostra os grupos, micros e compartilhamentos disponíveis. Ao clicar sobre um dos compartilhamentos, ele é montado em uma pasta dentro do seu diretório home, de forma que você possa abrir e modificar os arquivos (e não apenas copiar, como no Konqueror). Os compartilhamentos montados são mostrados no frame do lado direito. Clicando sobre eles, é aberta uma janela do gerenciador de arquivos, exibindo os arquivos. Na parte inferior da tela, você encontra um conjunto de abas que mostram as propriedades do compartilhamento.
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Novamente, temos a questão da autenticação. Por padrão, o Smb4K tenta usar o mesmo login e senha que você usou para fazer login no seu micro. Se a máquina Windows tiver este mesmo login cadastrado, você acessa diretamente, caso contrário é mostrada uma janela pedindo login e senha.

Se você usa senhas diferentes para acessar diferentes micros da rede, clique com o botão direito sobre o compartilhamento ou o micro e use a opção “Autenticação”. Isso permite definir e salvar um login e senha distintos para cada um, sem precisar digitar de novo a cada acesso.
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Em uma redes Windows, os clientes se comunicam através de pacotes de broadcast (pacotes enviados simultaneamente para todos os micros da rede), que são usados para descobrir quais micros e servidores estão ativos e quais compartilhamentos cada um está disponibilizando. Para agilizar a tarefa, existe o “master browser”, um cargo assumido automaticamente por um dos micros, que passa a escanear a rede e gerar uma lista dos compartilhamentos ativos, que é enviada aos demais micros da rede. Quando o master browser está disponível, os clientes Windows pegam a lista dos compartilhamentos com ele, caso contrário usam os pacotes de broadcast.

Se você tiver um servidor Samba ou um servidor Windows NT/2000/2003 disponível na rede, ele assumirá automaticamente o papel de master browser. Você pode então configurar o Smb4K para pegar a lista dos compartilhamentos diretamente com ele, ao invés de usar o processo tradicional. Para isso, acesse o “Configurações > Configurar Smb4K > Rede > Lista de Navegação” e indique o IP do servidor na opção “Consultar um master browser para obter a lista de navegação”. Caso tenha problemas para ver a lista dos compartilhamentos, experimente a opção “Usar smbclient” ao invés da “Usar nmblookup”, dentro da seção “Busca na rede”.
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Sempre que é aberto, o Smb4K fica residente na forma de um ícone ao lado do relógio. Se quiser que ele seja aberto automaticamente junto com o KDE, arraste o ícone do Smb4K no iniciar para dentro da pasta “/home/$USER/.kde/Autostart/“. Todos os ícones colocados dentro desta pasta são iniciados automaticamente durante a abertura do KDE. Você pode digitar o endereço assim mesmo no Konqueror. O “$USER” é uma variável de sistema que é substituída automaticamente pelo login de usuário que você está usando.

Para simplificar ainda mais as coisas, você pode configurá-lo (o Smb4K) para lembrar os compartilhamentos acessados e montá-los automaticamente ao ser aberto. Para isso, acesse novamente o menu de configuração e marque a opção “Remount recently used shares on program start”.
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Os compartilhamentos acessados através do Smb4k são, na verdade, montados dentro da pasta “smb4k”, dentro do seu diretório home. Ele são organizados em uma estrutura de pastas, com uma pasta separada para os compartilhamentos de cada servidor. Note que quando falo em “servidor” me refiro a qualquer máquina da rede que esteja compartilhando arquivos.
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Criando compartilhamentos

Ao contrário do cliente, que é relativamente simples de usar, o servidor Samba é um software bem mais complexo, destinado não apenas a oferecer todos os recursos dos servidores de arquivos Windows, mas a superá-los em vários aspectos, incluindo opções pouco comuns, melhor segurança e desempenho. Isso faz com que a configuração do Samba não seja nenhum exemplo de simplicidade, com vários macetes e opções pouco conhecidas. É por isso que existem tantos livros dedicados a ele ;).

Para não perdermos o fio da meada, vou me limitar a ensinar como criar uma configuração básica, suficiente para compartilhar arquivos com a rede local, sem muita segurança. Abordo a configuração do Samba com mais detalhes no livro Redes e servidores Linux.

O primeiro passo é instalar o servidor Samba propriamente dito. No Kurumin e em outras distribuições derivadas do Debian, basta instalar o pacote “samba” através do apt-get. Em outras distribuições, o pacote pode se chamar “samba-server”.

# apt-get install samba

O Samba é originalmente configurado através do arquivo “/etc/samba/smb.conf“. O configurador mais “tradicional” é o swat, mas o KDE oferece um utilitário muito mais simples, incluído no “Centro de Controle > Internet e Rede > Configuração do Samba”. Se a opção não estiver disponível, verifique se o pacote “kdenetwork-filesharing” está instalado.

Clique no “Modo Administrador” e forneça a senha de root. Isto é necessário, pois ele precisa das credenciais para fazer as alterações necessárias no sistema. Na aba “Configuração Base”, defina o grupo de trabalho usado na rede e o nome do seu micro na rede (Nome NetBIOS). Você pode também editar a descrição do servidor, que é vista pelos clientes.
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A configuração mais importante vai na opção “Nível de Segurança”, que determina a forma como o Samba controlará o acesso aos compartilhamentos. Se você quer apenas criar alguns compartilhamentos públicos, para permitir que outros micros da rede acessem alguns arquivos, sem se preocupar com permissões e logins de acesso, use a opção “Compartilhamento” (Share), que simplesmente permite que todos os micros da rede local acessem os compartilhamentos, como se estivesse usando uma máquina com o Windows 98.

Se quiser mais segurança, use a opção “Usuário” (user), que utiliza um nível de segurança similar ao do Windows 2000 e XP, onde apenas usuários autorizados podem acessar os compartilhamentos. Neste caso, você vai ter o trabalho de cadastrar todos os logins e senhas que serão usados para acessar os compartilhamentos e depois ativá-los no Samba.

Comece criando os logins usando o “users-admin” ou manualmente, através do comando “adduser”. Depois de criar os usuários no sistema, acesse a aba “usuários” do painel e adicione os usuários criados no campo “Usuários Samba”. A lista “Usuários UNIX” mostra todos os usuários cadastrados no sistema, incluindo os usuários ocultos (por isso que é tão grande), mas você só precisa se preocupar com os usuários que adicionou.
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Quando alguém tentar acessar seus compartilhamentos a partir de uma máquina Windows, o Samba verificará se o login que está sendo usado no Windows bate com alguma das contas cadastradas. Se bater, ele autoriza o acesso aos arquivos, caso contrário a pessoa verá o prompt para inserir um usuário e senha válidos.

Finalmente, falta criar os compartilhamentos propriamente ditos, usando a aba “Compartilhamentos”. No campo “Localização” vai o caminho completo da pasta que está sendo compartilhada e no “Nome”, o nome do compartilhamento na rede. Se quiser que os outros possam alterar o conteúdo da pasta e adicionar novos arquivos, desmarque a opção “Somente Leitura”.
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A opção “Público” permite que todo mundo tenha acesso à pasta, o que é o padrão ao usar o nível de segurança no nível “Compartilhamento”. Ao usar o nível de segurança “Usuário”, configure as permissões de acesso na aba “Usuários”. Você pode definir individualmente quem pode acessar, quem não pode e quem pode acessar em modo somente leitura. Na aba “Segurança” você pode também especificar individualmente as máquinas que terão ou não acesso ao compartilhamento, baseado no nome ou no endereço IP. Combinando as permissões de acesso baseadas nos logins de acesso e nomes das máquinas, você pode ter um controle bastante estrito de quem pode ou não acessar cada pasta.

Naturalmente, quanto mais estritas as permissões, mais trabalhosa fica a configuração e maior é a possibilidade de erros. Uma coisa que você deve prestar atenção, sobretudo ao usar o nível de segurança em modo compartilhamento, são as permissões de acesso da pasta no sistema.

O Samba é um programa que roda com privilégios limitados. Quando alguém tenta acessar um arquivo, o Samba decide entre autorizar ou não o acesso com base nas suas configurações e, caso autorizado, tenta acessar o arquivo no sistema. Como o Samba está sujeito às permissões de acesso dos arquivos, podem acontecer casos em que esteja tudo correto nas configurações do Samba, mas você não consiga acessar, ou não consiga alterar os arquivos dentro do compartilhamento porque as permissões de acesso da pasta não permitem isso. Antes de mais nada, experimente abrir as permissões da pasta compartilhada, dando permissão de leitura e escrita para todo mundo. Se resolver, vá restringindo novamente as permissões, até que fiquem da maneira como você quer, mas sem comprometer o acesso do Samba.

Ao terminar, clique no “Aplicar” para salvar as configurações no arquivo “/etc/samba/smb.conf”. Na verdade, o painel serve simplesmente como uma interface para editar este arquivo e cadastrar os usuários.

O Samba atualiza as configurações em relação ao arquivo de configuração periodicamente, a cada 30 segundos. Para acelerar as coisas, fazendo com que as alterações entrem em vigor imediatamente, você pode reiniciar o Samba manualmente, usando (como root) o comando:

# /etc/init.d/samba/restart

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