Primeiras impressões: Fedora 9 com KDE 4

Primeiras impressões: Fedora 9 com KDE 4

First impressions of Fedora 9 with KDE 4
Autor original: Ladislav Bodnar
Publicado originalmente no:
http://distrowatch.com/
Tradução: Roberto Bechtlufft

img-afe63f5b
Às vezes você não tem vontade de mudar seu computador, seu desktop e seus programas para algo radicalmente diferente? Só por diversão? Pois então você está muito bem acompanhado por este mantenedor do DistroWatch que vos fala. Na semana passada, depois de descobrir uma imagem do DVD de instalação do Fedora 9 que vazou em um dos mirrors do projeto, decidi atualizar meu sistema de produção (uma instalação do Fedora 8). Eu já conhecia bem os riscos – afinal, o Fedora se tornou uma das distribuições com maior ênfase em tecnologia de ponta dos últimos anos, com diversos recursos experimentais e um monte de aplicativos atualizados, porém relativamente pouco testados. Por outro lado, os desenvolvedores do Fedora têm a reputação de serem capazes de transformar as últimas tecnologias Linux em um desktop bem acabado e estável.

O maior problema em atualizar para o Fedora 9 é o fato de eu ser um usuário do KDE. Isso quer dizer que, após a atualização, meu KDE 3.5 de longa data, todo personalizado, se tornaria um incompleto e cheio de bugs KDE 4.0, o único KDE disponível no Fedora 9. Será que após o fim de semana eu ainda seria um usuário do KDE? Ou teria que trocar de distribuição, passar para uma que ainda traga o KDE 3.5 ou que ao menos me dê a opção de instalá-lo ao lado da versão 4.0? Mas tal era o meu desejo por um desktop novinho que eu simplesmente inseri o DVD de instalação da edição x86_64 do Fedora 9 e fui em frente com a atualização do sistema. Tudo correu bem e em menos de uma hora fui recebido por um visual totalmente novo no desktop.

E é um visual bastante empolgante! Na verdade, as mudanças são tão fenomenais que quase tive a impressão de estar usando um sistema operacional diferente, com uma base de código completamente nova. Claro, havia um um ou dois recursos típicos do velho KDE, mas de modo geral o KDE 4 é muito diferente do que estou acostumado. Embora tenha mantido minha partição home e as configurações do desktop da minha instalação antiga, várias das configurações desapareceram depois que bootei o novo KDE. Desnecessário dizer que logo veio uma grande queda na produtividade, quando comecei a usar meus aplicativos favoritos e tive que buscar novas maneiras de fazer as mesmas coisas – que já estavam entrincheiradas no meu subconsciente, depois de anos de uso do KDE 3! Minha reação inicial foi, no mínimo, de desânimo.
img

O KDE 4.0.3 será o único desktop KDE disponível no Fedora 9, quando ele for lançado esta semana.

Mas aos poucos, em um fim de semana, consegui reestabelecer um pouco do comportamento e das configurações da versão 3, ou dar um jeito de resolver as limitações. No Kate, meu editor de textos favorito, consegui restaurar o visual antigo usando alguns plugins. KMail, K3B, Kaffeine e Amarok funcionaram sem problemas. O Konsole foi mais problemático – ele costumava se lembrar do número de abas abertas (e as localizações) da sessão anterior, mas parece que agora isso não acontece mais. No entanto, em termos de funções perdidas, o Konqueror ganha disparado. Ele, que já foi um gerenciador de arquivos altamente personalizável e até divertido, no KDE 4.0.3 mal funciona (não dá nem para copiar ou mover arquivos da janela principal para o painel de navegação, aquele que chamamos com a tecla F9?) e está absurdamente bugado. O Dolphin não melhora muito as coisas. Outros incômodos incluem a tecla backspace, que só funcionou metade do tempo em alguns programas, colar com o botão do meio, que na maioria das vezes funcionava, mas às vezes não, e a ferramenta de verificação ortográfica do KDE, que funcionou em alguns programas (como no KMail), mas não em outros (Kate, por exemplo).

Ainda que esses pequenos bugs por vezes sejam um pouco irritantes, uma coisa compensa todos os problemas do novo KDE: a velocidade. Não sei se os créditos desse feito notável devem ser dados ao Fedora 9 ou ao KDE 4 (ou talvez ao GCC 4.3?), mas o fato é que o desktop KDE 4 do Fedora 9 é muito mais ágil e responde bem melhor que o KDE 3 do Fedora 8. Isso também se aplica ao Firefox 3.0b5 onde tudo está muito mais rápido, o que se nota em especial nos sites que fazem uso do AJAX. Esse deve ser meu maior motivo para continuar com o KDE 4 no Fedora 9 por uns tempos – ele é bem mais rápido do que qualquer coisa que eu já tenha usado nesta máquina em particular (exceto talvez por algumas minidistros que rodam da memória, como o SliTaz GNU/Linux ou o AUSTRUMI)!

Quanto ao Fedora 9, não posso dizer que foi uma experiência perfeita. O pacote do PHP ainda vem sem suporte ao SQLite, e o Fedora é a única distro que desabilita propositalmente esse recurso padrão e bem testado do PHP (com o Fedora 8 eu tive que baixar o pacote RPM fonte do PHP 5.2.6, remover o maldito parâmetro “–without-sqlite” do arquivo “spec” e reconstruir o RPM para poder ver o DistroWatch localmente). Alguns programas, como o Liferea e o gFTP, não abriam na minha atualização para o x86_64, mas ambos funcionaram direito na nova instalação i386 que fiz em minha máquina de testes. Resolvi o problema do Liferea baixando uma versão nova do programa que encontrei na internet, e troquei o gFTP pelo FileZilla. Tanto o Liferea quanto o FileZilla vêm funcionando bem desde então.

Em comparação com a versão 8, o Fedora 9 parece mais estável. Tive muitos problemas de programas travando regularmente no Fedora 8 (sendo o KTorrent o pior deles), enquanto outros programas não funcionavam como eu esperava (o K3B às vezes não conseguia encontrar o gravador de CD/DVD) – no Fedora 9 não tive esses problemas. O X do Fedora 8 travava pelo menos uma vez por semana, mas isso provavelmente acontecia porque eu usava drivers proprietários da NVIDIA e o Compiz, e ainda não habilitei nenhum dos dois no meu novo sistema. De modo geral, achei o Fedora 8 um tanto “bambo” em termos de estabilidade de seus aplicativos, mas conforme o sistema foi recebendo atualizações as coisas foram melhorando. Espero que o mesmo aconteça com o Fedora 9.

Logo, se você é usuário do KDE no Fedora e está na dúvida se deve atualizar ou não do Fedora 8 para o 9, eu recomendaria (ainda que um pouco relutante) que você fizesse a atualização. Mas saiba que vai perder muitas funcionalidades, especialmente se você realiza muitas tarefas de gerenciamento de arquivos no Konqueror, além de ter menos opções de configuração de áreas importantes do KDE, como o desktop em si e o painel do KDE. Em troca você ganha muita velocidade, um desktop potencialmente mais funcional com widgets sensuais e um Firefox mais veloz. O melhor de tudo é que você ainda ajuda a construir e testar a próxima geração do desktop KDE. Depende bastante da sua personalidade, mas se você é um entusiasta de computadores que gosta de testar coisas novas enquanto elas evoluem, o Fedora 9 e o KDE 4 são uma escolha interessante.

Créditos a Ladislav Bodnarhttp://distrowatch.com/
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>

Sobre o Autor

Redes Sociais:

Deixe seu comentário

X