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Além de bem projetados, um dos trunfos dos sistemas Unix e derivados, é ser incompatível com o Windows e seu vasto universo de mazelas (vírus, spywares, malwares, etc...). Apesar da incompatibilidade, é possível executar alguns programas (e jogos) para Windows nesses sistemas, Wine é o responsável. Trata-se de um software que implementa a API (interface de comunicação entre o programa e o sistema operacional, e vice-versa) do Win32 e faz a conversão das chamadas de sistema, de forma que os Unices (plural de Unix – vide Wikipedia) e derivados possam executar tais programas. Infelizmente nem tudo são flores, a compatibilidade provida pelo Wine traz o “underground” (submundo) do universo Microsoft para os desktops dos usuários de Linux, BSD e Unix em geral. Certa vez por brincadeira, executei um vírus no meu sistema (Debian, na época) com a ajuda do Wine, felizmente a possibilidade do vírus fazer algum estrago no sistema era remota, devido à minha credencial de usuário ordinário (não-admin) e também pelas permissões do sistema de arquivos. Ocorreu a multiplicação do vírus nas pastas que meu usuário tinha permissão de escrita, por sorte, nenhum arquivo foi deletado ou corrompido. O “pulo do gato” consiste em definir quem pode e quem não pode (ou não deve, de preferência) executar o Wine. Todo o procedimento deverá ser executado como “root”. 1. Crie um grupo (pode ser de sistema ou não, a diferença é o GID menor que 1000 – fico com a primeira opção, por organização) chamado “wine” e adicione à ele os usuários que poderão executar o Wine. # addgroup –-system wine
# adduser usuario wine 2. Localize os executáveis do Wine instalado (utilizo Ubuntu 7.04, o nome do pacote é “wine”). # dpkg -L wine | egrep '/usr/bin/.+' >/tmp/wine.txt
O comando acima lista todos os executáveis do pacote “wine” e redireciona a saída pro arquivo texto. 3. Crie um script em shell para definir as novas permissões nos executáveis do Wine. Eis o conteúdo: #!/bin/bash
for arquivo in $(cat /tmp/wine.txt); do chgrp wine “${arquivo}” chmod 750 “${arquivo}” done Salve o arquivo (“/tmp/wine.sh”, por exemplo) e saia do editor de textos. 4. Configure o atributo de execução no script e execute-o. # chmod +x /tmp/wine.sh
# /tmp/wine.sh Aparentemente nada aconteceu, nos certificaremos mais tarde. 5. Altere o grupo e as permissões do arquivo “/usr/lib/libwine.so.1.0” e da pasta “/usr/lib/wine”. # chgrp wine /usr/lib/libwine.so.1.0 # chgrp wine /usr/lib/wine # chmod 640 /usr/lib/libwine.so.1.0 # chmod 750 /usr/lib/wine 6. Teste! Tente executar o comando “wine” ou qualquer outro oriundo do do pacote, faça-o com um usuário pertencente ao grupo, depois faça-o com outro não-pertencente. Nota: Será necessário relogar caso o usuário atual tenha sido adicionado ao grupo.
O segundo usuário não conseguirá executar o comando e nem ler as bibliotecas que o mesmo necessita, tornando impossível a execução de programas para Windows. Isto é bem útil quando o computador é compartilhado, nem todos os usuários têm consciência dos anexos recebidos por e-mail, sites forçando downloads apenas em visita-los, e até mesmo mídias removíveis (disquete, CD/DVD, pendrive, etc) de fontes não confiáveis. Caso o Wine seja atualizado ou reinstalado, será necessário repetir todo o procedimento.
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