
OpenOffice/BrOfficeO OpenOffice dispensa apresentações. Ele é a segunda suíte de escritório mais usada no mundo, atrás apenas do MS Office, disponível tanto em versão Linux, quanto Windows. Ele possui algumas vantagens importantes sobre o MS Office, como o fato de ser compatível com mais formatos de arquivos, ser capaz de salvar documentos em PDF nativamente (Arquivo > Exportar como PDF) e salvar os documentos em um formato aberto, gerando arquivos muito mais enxutos e portáveis. Isso é muito importante para empresas, governos e mesmo para muitos usuários, que armazenam grandes quantidades de textos e outros documentos importantes. Usando o formato do OpenOffice você tem certeza que poderá abrir estes documentos daqui a 10, 20 ou 30 anos. No caso do MS Office, não existe esta garantia, pois você fica amarrado a um fornecedor específico que controla o formato, no caso a Microsoft. Os arquivos gerados pelo OpenOffice são, na verdade, arquivos compactados, contendo arquivos separados para o texto, layout, imagens e outros objetos incluídos. As imagens são mantidas em seu formato original (sem perda ou qualquer tipo de alteração) e o texto é salvo na forma de um arquivo .xml, razoavelmente legível, bem diferente da sopa de bytes gerada pelo concorrente. Examine você mesmo, descompactando um documento qualquer, como se fosse um arquivo zip. Via linha de comando você pode usar o comando "unzip", como em "unzip 1-Intro.sxw". Dentro da pasta criada, você verá uma estrutura como esta:
O fato do formato ser legível, organizado e aberto (o que permite que outros programas incluam suporte, filtros de conversão e outros tipos de ferramentas que permitam lidar com os arquivos), faz com que não exista nenhuma possibilidade real de você ter documentos corrompidos, "irrecuperáveis" como acontece no MS Office. Mesmo que uma tragédia acontecesse, ainda seria possível abrir o arquivo e arrumá-lo manualmente, corrigindo ou removendo a parte danificada usando um editor de textos. O OpenOffice é composto pelo Writer, Calc, Draw, Impress e Math, que são, respectivamente, o editor de texto, planilha, programa de desenho vetorial, gerador de apresentações e editor de equações. Naturalmente, o Writer e o Calc são os mais conhecidos e usados, mas o Draw e o Impress também surpreendem pelos recursos. O OpenOffice 2.0 trouxe um novo componente, o Base, um gerenciador de banco de dados que oferece recursos similares aos do MS Access, além de muitas melhorias na interface, novas funções dentro dos demais aplicativos e um melhor suporte aos documentos do MS Office. Apesar do tamanho do pacote ter aumentado, o desempenho melhorou em relação ao OpenOffice 1.1.3 e anteriores, sobretudo o tempo de abertura. Mesmo que você já utilize uma versão anterior do OpenOffice, é interessante procurar migrar para a nova versão, devido a todas as melhorias. Chegamos então ao BrOffice, que é a versão nacional, que você encontra no Kurumin 7. Na verdade, o BrOffice não é um fork ou uma versão separada do OpenOffice, como muitos pensam. A mudança no nome ocorreu apenas devido a uma disputa com relação à marca "OpenOffice" no Brasil, que havia sido registrada por uma empresa hostil. A principal vantagem de utilizar o BrOffice, em relação à versão padrão do OpenOffice, é que ele inclui um corretor ortográfico bastante completo, além de outras pequenas melhorias úteis para o público brasileiro. Ele é mantido pela equipe responsável pela tradução para o português do Brasil, ainda na época do StarOffice. Como você pode ver pelo screenshot, ela foi a principal ferramenta usada para editar este livro:
Fora a mudança no nome, não existe nenhuma outra grande mudança em relação ao OpenOffice "padrão". Para instalar o BrOffice em outras distribuições, ou para atualizar a versão incluída no Kurumin, você tem duas opções. A primeira é baixar o pacote de instalação disponível no: http://www.broffice.org/download. Caso você prefira a versão original do OpenOffice, distribuída pela Sun, pode baixá-lo no: http://www.openoffice.org/. Além da versão Windows, estão disponíveis as duas versões Linux, uma empacotada na forma de pacotes .deb (adequados ao Kurumin, Ubuntu e outras distribuições derivadas do Debian) e outra na forma de pacotes .rpm (destinados ao Fedora, Mandriva e outros da família do Red Hat). Para instalar, comece descompactando o pacote baixado, o que pode ser tanto feito clicando sobre o arquivo usando o botão direito no Konqueror, quanto usando o comando "tar -jxvf arquivo", como em: # tar -jxvf broffice.org.2.0.4.deb.tar.bz2 Em seguida, acesse a pasta "DEBS/" que será criada e rode o comando "dpkg -i *.deb" para concluir a instalação. É recomendável rodar também o "apt-get -f install" para corrigir qualquer possível problema relacionado a dependências:
# cd DEBS Para a versão .rpm o processo é similar, com a diferença de que você usaria o comando "rpm -Uvh *.rpm" para instalar os pacotes. O comando "rpm" tem uma função similar ao dpkg, mas é encontrado apenas em distribuições derivadas do Red Hat. Um pequeno problema que você pode encontrar ao instalar ou atualizar o BrOffice utilizando os pacotes disponíveis no site, é as fontes ficarem levemente desfocadas dentro da janela do BrOffice devido a uma diferença no sistema de antialiasing usado pelo BrOffice e o usado pelo restante do sistema. Isto acontece em muitas distribuições (incluindo o Kurumin 7 e todas as outras baseadas no Debian Etch, além de várias versões do Ubuntu/Kubuntu). Naturalmente, o problema já vem manualmente corrigido no Kurumin, mas você perde a correção ao atualizar para uma nova versão. O problema é puramente cosmético, pois afeta apenas as fontes mostradas na tela. Não afeta a impressão ou modifica os arquivos salvos. Nem todo mundo percebe a diferença e a maioria não se importa. Mas muitos acham o problema irritante. Se for o seu caso, aqui vai a receita de como corrigi-lo:
1- Baixe este arquivo e salve-o na pasta "/opt/broffice.org2.x"
(onde o 2.x é a
versão): 2- Abra (como root) o arquivo "/etc/broffice.org-2.0/program/soffice" e localize as linhas abaixo, que ficam próximas do final do arquivo:
#
misc. environment
variables unset XENVIRONMENT Substitua-as por:
#
misc. environment
variables
LD_PRELOAD="/opt/broffice.org2.0/libfreetype.so.6.3.5" unset XENVIRONMENT Note que foram incluídas duas novas linhas, que especificam a localização do arquivo que instalamos manualmente. Ele é uma versão corrigida da biblioteca que causa o problema. Esta configuração faz com que o openoffice passe a utilizá-la no lugar da versão incluída no sistema. Veja dois screenshots que mostram a sutil diferença:
Ao usar o OpenOffice (a versão original, que é incluída na maioria das distribuições), um problema comum é como arrumar o corretor ortográfico para a nossa língua, que é bastante pobre em relação ao BrOffice. O OpenOffice 2.0 é por padrão instalado dentro da pasta "/opt/openoffice.org2.0/". Em algumas distribuições, que incluem pacotes próprios, a pasta de instalação pode ser a "/usr/lib/openoffice2/" ou mesmo "/usr/share/openoffice/", mas este é um daqueles casos em que a ordem não altera o resultado. Dentro da pasta de instalação, acesse o diretório "share/dict/ooo/", que é onde vão os dicionários da correção ortográfica. O corretor completo é composto por três componentes, o corretor propriamente dito, o hifenizador (que entende a divisão das sílabas) e o dicionário de sinônimos (thesaurus), que inclui uma longa lista com variações de palavras, que complementa o dicionário principal. O pacote do OpenOffice da Sun vem apenas com um deles (o corretor), resultando em uma correção ortográfica bastante pobre. Você pode verificar o status do seu, em "Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica". Se apenas o "OpenOffice.org MySpell SpellChecker" estiver disponível (como neste screenshot do OpenOffice incluído no Ubuntu 5.10), significa que apenas o corretor está instalado.
Mas, não existe motivo para pânico :). Você
pode baixar o restante dos componentes
aqui: Como o nome sugere, este é o arquivo com os dicionários que reuni para uso no Kurumin, mas que naturalmente pode ser usado em qualquer distribuição. Para instalá-lo, descompacte o arquivo e copie seu conteúdo para dentro da pasta "share/dict/ooo/", dentro do diretório de instalação do OpenOffice, substituindo os arquivos existentes.
Se você escreve textos técnicos, pode baixar também o meu dicionário pessoal, que contém uma lista enorme de termos técnicos, que ao ser instalado faz o corretor deixar de marcar os termos como palavras incorretas. Salve o arquivo na pasta "share/wordbook/pt-BR/" dentro da pasta de instalação do OpenOffice: http://www.guiadohardware.net/kurumin/skel/.openoffice.org2/user/wordbook/kurumin.dic Depois de salvar os arquivos, feche todas as janelas do OpenOffice e abra-o novamente. Isso fará com que ele encontre os novos arquivos e ofereça a opção de usá-los. Volte ao "Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica" e você verá que apareceram mais duas opções no campo "Módulos de Idiomas Disponíveis" e o dicionário "kurumin" no campo "Dicionários Definidos pelo Usuário". Marque todas as opções e você ficará com o corretor completo. No campo "opções" marque a opção "Verificar em todos os idiomas". O pacote dos dicionários que disponibilizei contém também os arquivos do corretor em inglês (en_US), de forma que ao ativar esta opção o corretor passará a entender também palavras em inglês (simultaneamente com as em português) o que acaba sendo bastante útil, já que é muito comum usarmos termos e palavras do inglês no dia-a-dia. Isso evita que você tenha que baixar e instalar todo o pacote do broffice.org.br só porque os corretores não vieram em ordem.
Existem ainda algumas dicas com relação ao desempenho do OpenOffice (como desabilitar o Java e aumentar o tamanho dos caches) que acabam sendo importantes em micros com poucos recursos. O OpenOffice é um dos aplicativos mais complexos que temos no Linux, com mais linhas de código que o próprio Kernel e um sem número de componentes e bibliotecas diferentes. Ele também inclui suporte a diversas línguas e ao Java, o que torna o conjunto ainda mais complexo :). É quase que um consenso que o OpenOffice é pesado e que demora para abrir. Mas grande parte do "peso" é devido à configuração padrão, que está longe de ser otimizada. A maior parte das configurações é definida durante a compilação e não podem ser alteradas facilmente, mas existem duas configurações simples que podem ser modificadas rapidamente pelo "Ferramentas > Opções" e geram resultados interessantes. A primeira é desativar o Java na opção "OpenOffice.org > Java > Usar um JRE". Na verdade, o Java foi integrado artificialmente ao OpenOffice, como uma tentativa da Sun de integrar os dois produtos, fazendo com que a popularidade do OpenOffice impulsionasse também o uso do Java de uma forma geral. O Java é usado apenas em macros, algumas funções dentro do Base (o banco de dados incluído no OpenOffice 2.0) e nos assistentes para criação de documentos. Desativar o Java reduz o tempo de carregamento do OpenOffice quase pela metade e de quebra diminui o uso de memória em quase 30 MB. Você tem a opção de reativar o Java ao tentar usar qualquer opção que realmente precise dele, de forma que você pode desativá-lo com segurança.
Um dos motivos do OpenOffice demorar mais para abrir e salvar documentos do que o MS Office é o fato de ele salvar todas as imagens, texto e formatação do documento em um formato compactado, que resulta em arquivos brutalmente menores que os do Office, mas que exigem muito mais processamento para serem criados e abertos. Uma forma de reduzir o tempo de carregamento é aumentar o tamanho do cache gráfico, na opção "OpenOffice.org > Memória > Cache Gráfico". Usar um cache maior faz com que o OpenOffice consuma mais memória RAM, mas fique perceptivelmente mais rápido. Se você tem um micro com 512 MB, vai ter bons resultados reservando de 80 a 150 MB dentro da opção "Utilização para o OpenOffice.org". Se, por outro lado, você tem um micro com 256 MB ou menos, vai ter melhores resultados usando um cache menor, de 20 a 40 MB. Ajuste também a opção "Memória por Objeto", que deve ser proporcional ao tamanho total do cache. Ao usar um cache maior, aumente o valor e, ao usar um cache menor, reduza-o.
Desativando o Java, aumentando o tamanho dos caches e fuçando um pouco mais nas configurações é possível fazer o OpenOffice carregar em cerca 7 segundos em um Sempron 2800 com 512 MB (primeiro carregamento, sem preloading) e em pouco mais de 3 segundos a partir do segundo carregamento (quando ele já está armazenado no cache de disco) e consumindo bem menos memória RAM que de costume. Com relação à documentação, você pode encontrar um conjunto de manuais e apostilas do BrOffice/OpenOffice em português no http://www.broffice.org/?q=docs. Os manuais originais (em inglês), estão disponíveis no http://documentation.openoffice.org/manuals/index.html. Outro site com várias dicas é o http://www.tutorialsforopenoffice.org/.
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