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    Guia: Usando o terminal


     Carlos E. Morimoto
     08/07/2006


    No início, todos os sistemas operacionais usavam apenas interfaces de modo texto. Antes do Windows, existiu o DOS e, antes do KDE, Gnome e todas as outras interfaces que temos atualmente, o Linux tinha também apenas uma interface de modo texto.

    A diferença é que no Linux a interface de modo texto evoluiu junto com o restante do sistema e se integrou de uma forma bastante consistente com os aplicativos gráficos. Quanto mais você aprende, mais tempo você acaba passando no terminal; não por masoquismo, mas porque ele é realmente mais prático para fazer muitas coisas.

    Você pode chamar qualquer aplicativo gráfico a partir do terminal; na maioria dos casos o comando é o próprio nome do programa, como "konqueror" ou "firefox". Os atalhos para abrir os programas, itens nos menus, etc., podem mudar de lugar, mas os comandos de texto são algo mais ou menos universal, mudam pouco mesmo entre diferentes distribuições.

    Por exemplo, para descompactar um arquivo com a extensão .tar.gz, pelo terminal, você usaria o comando:

    $ tar -zxvf arquivo.tar.gz

    Aqui o "tar" é o comando e o "-zxvf" são parâmetros passados para ele. O tar permite tanto compactar quanto descompactar arquivos e pode trabalhar com muitos formatos de arquivos diferentes, por isso é necessário especificar que ele deve descompactar o arquivo (-x) e que o arquivo está comprimido no formato gzip (z). O "v" é na verdade opcional, ele ativa o modo verbose, onde ele lista na tela os arquivos extraídos e para onde foram.

    Se você tivesse em mãos um arquivo .tar.bz2 (que usa o bzip2, um formato de compactação diferente do gzip), mudaria a primeira letra dos parâmetros, que passaria a ser "j", indicando o formato, como em:

    $ tar -jxvf arquivo.tar.bz2

    Você poderia também descompactar o arquivo clicando com o botão direito sobre ele numa janela do Konqueror e usando a opção "Extrair > Extrair aqui". Para quem escreve, é normalmente mais fácil e direto incluir o comando de texto, mas você pode escolher a maneira mais prática na hora de fazer.

    Existe um número muito grande de pequenos aplicativos de modo texto, cada um deles suportando muitos parâmetros diferentes, por isso é quase impossível conhecer todos. Aprender a usar o modo texto é parecido com aprender uma segunda língua, é um processo gradual e constante, onde você sempre está aprendendo comandos, parâmetros e truques novos. É uma área em que ninguém pode dizer que sabe tudo.

    Existem duas formas de usar o terminal. Você pode acessar um terminal "puro" pressionando as teclas "Ctrl+Alt+F1", mudar entre os terminais virtuais pressionando "Alt+F2", "Alt+F3", etc. e depois voltar ao modo gráfico pressionando "Alt+F7", "Alt+F5" ou mesmo "Alt+F3", dependendo do número de terminais de texto usados na distribuição em uso.

    Estes terminais são às vezes necessários para manutenção do sistema, em casos em que o modo gráfico deixa de abrir, mas no dia-a-dia não é prático usá-los, pois sempre existe uma pequena demora ao mudar para o texto e voltar para o ambiente gráfico, e, principalmente, estes terminais não permitem usar aplicativos gráficos.

    Na maior parte do tempo, usamos a segunda forma, que é usar um "emulador de terminal", um terminal gráfico que permite rodar tanto os aplicativos de texto, quanto os gráficos.

    No KDE, procure o atalho para abrir o Konsole. Ele possui várias opções de configuração (fontes, cores, múltiplas janelas, etc.). Se você preferir uma alternativa mais simples, procure pelo Xterm.

    O Xterm é o mais simples, que abre quase instantaneamente. O Konsole por sua vez é bem mais pesado, mas oferece mais recursos, como abrir vários terminais dentro da mesma janela, fundo transparente, etc. Dê uma olhada rápida em cada um e veja qual lhe agrada mais. Além destes dois, existem vários outros, como o Gnome Terminal, Rxvt e Eterm, incluídos ou não de acordo com a distribuição.

    Na maioria dos casos, ao chamar um programa gráfico através do terminal, você pode passar parâmetros para ele, fazendo com que ele abra diretamente algum arquivo ou pasta. Por exemplo, para abrir o arquivo "/etc/fstab" no Kedit, use:

    $ kedit /etc/fstab

    Para abrir o arquivo "imagem.png" no Gimp, use:

    $ gimp imagem.png

    No começo, faz realmente pouco sentido ficar tentando se lembrar do comando para chamar um determinado aplicativo ao invés de simplesmente clicar de uma vez no ícone do menu. Mas, depois de algum tempo, você vai perceber que muitas tarefas são realmente mais práticas de fazer via terminal.

    É mais rápido digitar "kedit /etc/fstab" do que abrir o kedit pelo menu, clicar no "Arquivo > Abrir" e ir até o arquivo usando o menu. É uma questão de costume e gosto. O importante é que você veja o terminal como mais uma opção, que pode ser utilizada quando conveniente, e não como algo intimidador.


    Completando com a tecla Tab


    Um dos recursos que torna o terminal um ambiente dinâmico é a possibilidade de completar comandos e nomes de arquivos usando a tecla Tab do teclado. Por exemplo, imagine o comando:

    $ md5sum kurumin-6.0alpha1.iso

    Um pouco desconfortável de digitar não é mesmo? Nem tanto. Com a ajuda da tecla tab, você pode digitá-lo com apenas 8 toques: md5<tab> kur<tab>. Prontinho, fica faltando só dar o enter :-).

    Se por acaso houver outro comando começado com "md5" ou outro arquivo na mesma pasta começado com "kur", então o Tab completará até o ponto em que as opções forem iguais e exibirá uma lista com as possibilidades para que você termine de completar o comando. Por exemplo, se tivesse os arquivos kurumin-5.1.iso e kurumin-6.0alpha1.iso na mesma pasta, ele completaria até o "md5sum kurumin-", onde os nomes diferem e deixaria que completasse o comando.

    Pressionando <tab> duas vezes, ele exibe uma lista das opções disponíveis. Por exemplo, digitando: apt-get remove<tab><tab>, ele pergunta:

    Display all 826 possibilities? (y or n)

    Continuando, ele exibe uma lista de todos os pacotes (atualmente instalados), que poderiam ser removidos usando o comando. O autocompletar é bem inteligente, entendendo a sintaxe dos comandos usados e exibindo apenas as possibilidades que se aplicam a eles.

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