ct

    Guia: Usando o terminal


     Carlos E. Morimoto
     08/07/2006


    Montando e desmontando


    Embora cada vez mais as distribuições detectem as partições, CD-ROMs, pendrives e outros dispositivos automaticamente, criando ícones no desktop ou algo similar, por baixo dos panos é sempre necessário montar os dispositivos antes de acessá-los. Isto é feito automaticamente quando você clica no ícone do CD-ROM no desktop, por exemplo, mas, dependendo da distribuição que resolver usar, você acabará precisando fazer isso manualmente em muitos casos. Vamos então entender como esse processo funciona.

    Cada dispositivo ou partição é acessado pelo sistema através de um device, um arquivo especial criado dentro do diretório "/dev". Para entender a ordem usada para nomear estes dispositivos é preciso usar algumas noções de hardware.

    Na placa-mãe você encontra duas portas IDE (primária e secundária), que são usadas para instalar o HD e CD-ROM. Cada uma das duas permite conectar dois dispositivos, de forma que podemos instalar um total de 4 HDs ou CD-ROMs na mesma placa. Os drives IDE "tradicionais", que usam os cabos de 40 ou 80 vias são chamados de "PATA", de "parallel ATA".

    Cada par de drives é instalado na mesma porta. Para diferenciar os dois é usado um jumper, que permite configurar cada drive como master (mestre) ou slave. O mais comum é usarmos apenas um HD e mais um CD-ROM ou DVD, cada um instalado em sua própria porta e ambos configurados como master. Ao adicionar um segundo HD, você poderia escolher entre instalar na primeira ou segunda porta IDE, mas de qualquer forma precisaria configurá-lo como slave, mudando a posição do jumper. Independentemente de ser um HD, CD-ROM ou qualquer outro tipo de dispositivo, os drives são detectados pelo sistema da seguinte forma:

    IDE primária, master: /dev/hda
    IDE primária, slave: /dev/hdb
    IDE secundária, master: /dev/hdc
    IDE secundária, slave: /dev/hdd

    Os HDs Serial ATA (SATA) são vistos pelo sistema da mesma forma que HDs SCSI. Isso também se aplica a pendrives e outros dispositivos USB. Aqui entra uma história interessante: como o código é aberto, é muito comum que novos módulos sejam baseados ou utilizem código de outros módulos já existentes. O suporte a drives SCSI no Kernel é tão bom que ele passou a ser usado (com pequenas adaptações) para dar suporte a outros tipos de dispositivos. Na época do Kernel 2.4, até os gravadores de CD eram vistos pelo sistema como drives SCSI.

    O primeiro dispositivo SCSI é detectado como "/dev/sda", o segundo como "/dev/sdb" e assim por diante. Se você tiver um HD SATA ou pendrive, o drive é visto como "/dev/sda" e não como "/dev/hda", como seria se fosse um drive IDE.

    Se você tiver um HD PATA e um pendrive, instalados na mesma máquina, então o HD será visto como "/dev/sda" (pois é inicializado primeiro, logo no início do boot) e o pendrive como "/dev/sdb". Se você plugar um segundo pendrive, ele será visto como "/dev/sdc", e assim por diante. Ao contrário dos dispositivos IDE, os devices são definidos seqüencialmente, conforme o sistema vai detectando os dispositivos. Quem chega primeiro leva.

    Se você tiver um HD IDE e um pendrive, então o HD será visto como "/dev/hda" e o pendrive como "/dev/sda". Uma observação é que você quase sempre encontrará uma opção dentro do Setup que permite colocar as portas SATA em modo de compatibilidade (Legacy Mode ou Compatibility Mode, dependendo da placa). Ao ativar esta opção, seu HD SATA passará a ser visto pelo sistema como " /dev/hda', como se fosse um HD IDE normal. Esta opção é útil ao instalar distribuições antigas, que ainda não oferecem um bom suporte a HDs SATA.

    Em seguida vem a questão das partições. Ao invés de ser um espaço único e indivisível, um HD é como uma grande sala comercial, que pode ser dividida em vários escritórios e ambientes diferentes. Ao instalar o sistema operacional, você tem a chance de particionar o HD, onde é feita esta divisão. É sempre recomendável usar pelo menos duas partições separadas, uma para o sistema e outra para seus arquivos. Isto permite reinstalar o sistema sempre que necessário, sem perder seus arquivos e configurações.

    No Linux existe ainda a necessidade de criar uma partição separada para a memória swap. Esta partição utiliza uma organização própria, otimizada para a tarefa. Embora um pouco mais complicada, esta abordagem faz com que o acesso seja mais rápido que no Windows, onde o swap é feito dentro de um arquivo, criado na partição de instalação de sistema.

    Existem diversos programas de particionamento, os mais usados no Linux são o cfdisk, gparted e o qtparted. Muitas distribuições incluem particionadores próprios, o Mandriva por exemplo inclui o diskdrake.

    Acima temos um screenshot do Gparted. Como pode ver, cada partição recebe um número e é vista pelo sistema como um dispositivo diferente. A primeira partição do "/dev/hda" é vista como "/dev/hda1" e assim por diante. O mesmo acontece com os pendrives, que do ponto de vista do sistema operacional são uma espécie de HD em miniatura.

    O sistema nunca acessa os dados dentro da partição diretamente. Ao invés disso, ele permite que você "monte" a partição numa determinada pasta e acesse os arquivos dentro da partição através dela, o que é feito usando o comando "mount".

    A sintaxe básica inclui o dispositivo e a pasta onde ele será acessado, como em:

    # mount /dev/hda2 /mnt/hda2

    O mais comum é que as partições "extras" sejam montadas dentro da pasta "/mnt", que é própria para a tarefa, mas isso não é uma regra; você pode montar as partições em qualquer pasta vazia. Não se esqueça de criar a pasta desejada, se necessário, usando o comando "mkdir".

    No caso do CD-ROM, citamos apenas o dispositivo, sem incluir a partição (já que um CD-ROM não pode ser particionado, como um HD). Você pode tanto usar o dispositivo correto, como "/dev/hdc" ou "/dev/hdd", quanto usar o "/dev/cdrom", um link que é criado durante a instalação:

    # mount /dev/cdrom /mnt/cdrom

    Se quiser trocar o CD que está na bandeja, você deve primeiro "desmontar" o CD-ROM, com o comando "umount /mnt/cdrom". O mesmo se aplica a pendrives e HDs externos: é sempre necessário desmontar antes de desplugá-los. No caso dos pendrives e HDs, desmontar é fundamental, pois as alterações não são necessariamente salvas imediatamente por causa do cache de disco. Removendo sem desmontar, existe uma probabilidade muito grande das últimas alterações serem perdidas. É muito comum as pessoas gravarem arquivos no pendrive, desplugarem logo depois (sem desmontar) e, ao tentar usar de novo, verem que os arquivos simplesmente não foram gravados.

    Se por acaso você tiver um drive de disquetes (em que século você vive? :), o comando para montá-lo manualmente é "mount /dev/fd0 /mnt/floppy" e, para desmontar, "umount /mnt/floppy". Assim como no caso dos pendrives, é importante desmontar antes de remover o disquete do drive.

    Os pontos de montagem, ou seja, as pastas onde as partições serão montadas podem ser configurados através do arquivo "/etc/fstab". Quase sempre, este arquivo é configurado durante a instalação, incluindo referências a todas as partições e CD-ROMs disponíveis, de forma que você pode montar as partições digitando apenas "mount /mnt/hda6" (por exemplo), sem precisar usar o comando completo.

    Naturalmente, além da forma manual, existem maneiras mais práticas de acessar o CD-ROM e partições. Em primeiro lugar, ao usar o KDE, você pode sempre usar o ícone no desktop, clicando sobre ele para montar e usando a opção "desmontar" (que aparece ao clicar com o botão direito sobre o ícone) para liberar o CD na hora de remover. Na maioria das distribuições, ao plugar um pendrive é criado automaticamente um ícone no desktop para acessar os arquivos. Geralmente o ícone inclui uma opção para desmontar, acessível ao clicar sobre ele com o botão direito.

    Ainda no KDE, você pode acessar as demais partições do HD abrindo o Konqueror e acessando a url "media:/" (ou "devices:/", nas versões antigas). Assim como no caso do CD-ROM, você acessa os arquivos clicando sobre o ícone. No caso das partições do HD, não é necessário desmontar depois de usar, pois elas são desmontadas ao desligar o micro.

    Muitas distribuições incluem o automount, que faz com que o acesso ao CD-ROM e disquete seja transparente, como no Windows. Você coloca o CD-ROM na bandeja. Ao acessar a pasta "/mnt/cdrom" o sistema se encarrega de montá-lo automaticamente. Quando você pressiona o botão para ejetar o CD, o sinal é interceptado pelo sistema que se encarrega de desmontá-lo e em seguida ejetar o CD.

cb
HOME