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    A árvore genealógica das distribuições Linux

    Tutoriais

    Hoje em dia existem mais de 500 distribuições Linux, já contanto apenas as distribuições ativas. Apesar disso, 98% delas são personalizações de outras distribuições já existentes, de forma que se você começar a estudar um pouco sobre a árvore genealógica das distribuições, vai perceber que existem menos de 10 distribuições principais, das quais todas as outras são derivadas. Por mais diferente que seja a aparência e a escolha de softwares pré-instalados, as distribuições derivadas mantém as características principais da distribuição-mãe, de forma que se você consegue aprender a trabalhar com as distribuições principais, passa a não ter grandes problemas ao trabalhar com qualquer uma das distribuições derivadas delas.Carlos E. Morimoto
    03/10/2008


    No começo, instalar o Linux era uma tarefa ingrata. Tudo o que existia era o código fonte do Kernel, que precisava ser compilado (usando o Minix ou outro sistema operacional) e combinado com outros utilitários e bibliotecas (que também precisavam ser compilados, um a um) para que você tivesse um sistema operacional funcional. Isso explica porque nos primeiros meses, após o célebre anúncio feito por Linux Torvalds em agosto de 1991, o Linux tinha apenas algumas dezenas de usuários, a maior parte deles programadores, que em maior ou menor grau participavam do desenvolvimento do sistema.

    Alguém chegou então a uma conclusão óbvia: por que não distribuir versões já compiladas do sistema, que pudessem ser instaladas diretamente? Surgiram então as primeiras distribuições Linux, que rapidamente passaram a ganhar novos adeptos.

    Hoje em dia existem mais de 500 distribuições Linux, já contanto apenas as distribuições ativas. Apesar disso, 98% delas são personalizações de outras distribuições já existentes, de forma que se você começar a estudar um pouco sobre a árvore genealógica das distribuições, vai perceber que existem menos de 10 distribuições principais (Debian, Red Hat/Fedora, Mandriva, Ubuntu, Slackware, Gentoo, etc.) das quais todas as outras são derivadas.

    Por mais diferente que seja a aparência e a escolha de softwares pré-instalados, as distribuições derivadas mantém as características principais da distribuição-mãe, de forma que se você consegue aprender a trabalhar com as distribuições principais, passa a não ter grandes problemas ao trabalhar com qualquer uma das distribuições derivadas delas.


    As primeiras distribuições Linux


    A primeira distribuição de que se tem notícia é um par de disquetes, chamados simplesmente de "Boot/Root", que foram desenvolvidos no final de 1991 por HJ Lu (que até hoje participa do desenvolvimento do Kernel). Eles incluíam apenas o mínimo necessário para inicializar o sistema e rodar algumas ferramentas básicas, em modo texto. Não era exatamente uma "distribuição Linux" no sentido atual, mas foi um ponto de partida.

    O "Root/Boot" foi sucedido por distribuições como o MCC Interim Linux (lançado em fevereiro de 1992), o SLS Linux (maio de 1992) e o Yggdrasil (novembro de 1992). Cada uma delas segue uma idéia bastante diferente. O MCC era uma distribuição em modo texto, mas que oferecia um conjunto mais completo de aplicativos e compiladores. O SLS era distribuído na forma de um conjunto de arquivos .zip, que eram usados para gerar os disquetes de instalação, a partir do MS/DOS, enquanto o Yggdrasil foi uma espécie de antecessor dos live-CDs. Você dava boot através de um disquete e o sistema rodava a partir de um CD-ROM, com direito a ambiente gráfico e a opção de instalá-lo no HD usando um script em shell. O sistema era extremamente lento (os PCs da época usavam CD-ROMs 1x ou 2x e tinham apenas 4 ou 8 MB de memória), mas funcionava.

    A distribuição mais antiga ainda ativa é o Slackware, lançado em julho de 1993. O Slackware é uma das distribuições mais espartanas, que tem como objetivo preservar a tradição dos sistemas Unix, provendo um sistema estável, organizado, mas com poucas ferramentas automatizadas, que te obriga a estudar e ir mais a fundo na estrutura do sistema para conseguir usar. Muita gente usa o Slackware como ferramenta de aprendizado, encarando os problemas e deficiências como um estímulo para aprender.

    Temos aqui o famoso instalador em modo texto, que é usado por todas as versões do Slackware:

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    Assim como quase todas as distribuições atuais, o Slackware começou como um "remaster" de uma distribuição anterior (o SLS Linux), incluindo diversas modificações e melhorias.

    Esta é, justamente, a característica mais marcante do desenvolvimento do sistema. Novas distribuições raramente são criadas do zero; quase sempre é usada uma distribuição já existente como base, o que permite que os desenvolvedores se concentrem em adicionar novos recursos e corrigir problemas, aumentando radicalmente a velocidade de desenvolvimento de novos projetos.


    A família Red Hat


    Pouco depois, em novembro de 1994, foi lançado o Red Hat, que foi desenvolvido com o objetivo de facilitar a configuração e automatização do sistema, incluindo várias ferramentas de configuração. Apesar de sua alma comercial, todas as ferramentas desenvolvidas pela equipe do Red Hat tinham seu código aberto, o que possibilitou o surgimento de muitas outras distribuições derivadas dele, incluindo o Mandrake (França), o Conectiva (Brasil) e o SuSE (Alemanha).

    O Red Hat foi a primeira distribuição a usar um sistema de gerenciamento de pacotes, onde cada programa incluído no sistema é transformado em um pacote compactado, que pode ser instalado através de um único comando. O sistema guarda as informações dos pacotes instalados, permitindo que você possa removê-los completamente depois (sem deixar restos de bibliotecas e chaves de registro, como no Windows).

    A idéia surgiu a partir da forma como os aplicativos são instalados a partir do código fonte, onde você usa os tradicionais comandos "./configure", "make" e "make install". O primeiro comando analisa o sistema e gera a configuração necessária para fazer a instalação, o segundo faz a compilação propriamente dita, enquanto o terceiro finaliza a instalação, copiando os executáveis, bibliotecas e arquivos de configuração para as pastas correspondentes do sistema.

    Ao agrupar todos os arquivos em um único arquivo compactado e descompactá-lo no diretório raiz do sistema, você tem tem justamente um sistema rudimentar de pacotes. A partir daí, a idéia foi evoluindo até chegar a ferramentas como o yum e o apt-get e repositórios gigantescos que temos hoje em dia.

    O uso do gerenciamento de pacotes é uma das diferenças mais visíveis entre o Linux e o Windows: no Windows você clica no executável do programa e é aberto um instalador; no Linux você usa o gerenciador de pacotes para instalar os programas que quer usar. Aqui temos o venerável Red Hat 9, lançado em 2003:

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    A partir de 2003 a Red Hat mudou seu foco, concentrando seus esforços no público empresarial, desenvolvendo o Red Hat Enterprise Linux (RHEL) e vendendo pacotes com o sistema, suporte e atualizações. A conseqüência mais marcante da decisão foi a descontinuidade do Red Hat Desktop, que era até então a distribuição Linux com o maior número de usuário.

    A última versão foi o Red Hat 9. A partir daí, passou a ser desenvolvido o Fedora, combinando os esforços de parte da equipe da Red Hat e vários voluntários que, com a maior abertura, passaram a contribuir com melhorias, documentações e suporte comunitário nos fóruns. O Fedora herdou a maior parte dos usuários do Red Hat Desktop, tornando-se rapidamente uma das distribuições mais usadas.

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    Em seguida temos o Mandrake começou de uma forma modesta, como uma versão modificada do Red Hat, lançada em julho de 1998, cuja principal modificação foi a inclusão do KDE (ainda na versão 1.0). O KDE e o Gnome são os dois ambientes gráficos mais usados no Linux, dividindo a preferência dos usuários e das distribuições. Ambos rodam sobre o X, usando os recursos oferecidos por ele. O X cuida do acesso à placa de vídeo, teclado, mouse e outras funções "base", enquanto o KDE ou Gnome cuidam da interface que é mostrada a você.

    Superando todas as expectativas, o Mandrake conquistou rapidamente um grande número de usuários. A partir de um certo ponto, ele passou a ser desenvolvido de forma independente, sempre com o foco na facilidade de uso. Muita gente começou a usar Linux justamente com o Mandrake 10 e 10.1:

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    O Conectiva foi a primeira distribuição Linux nacional e por muito tempo foi uma das mais usadas por aqui, atendendo tanto usuários domésticos, quanto empresas. Em 2005 aconteceu a fusão entre o Mandrake e o Conectiva, que deu origem ao atual Mandriva, uma evolução do Mandrake, que passou a ser desenvolvido combinando os esforços das equipes em ambas as distribuições.

    A história do SuSE é um pouco mais complicada. As primeiras versões foram baseadas no SLS (assim como o Slackware). Em 1995 os scripts e ferramentas foram migrados para o Jurix, que por sua vez era baseado no Slackware. A partir da versão 5.0, lançada em 1998, o SuSE passou a utilizar pacotes RPM, o formato do Red Hat e passou a incorporar características e ferramentas derivadas dele. Todas estas ferramentas foram integradas no Yast, um painel de controle central que facilita bastante a administração do sistema.

    Devido a todas estas mudanças, o SuSE é difícil de catalogar, mas atualmente o sistema possui muito mais semelhanças com o Fedora e o Mandriva do que com o Slackware; por isso é mais acertado colocá-lo dentro da família Red Hat.

    Em 2003, a SuSE foi adquirida pela Novell, dando origem ao Novell Desktop (uma solução comercial) e ao OpenSUSE, um projeto comunitário, que usa uma estrutura organizacional inspirada no exemplo do Fedora.

    Ao contrário do Ubuntu e mesmo do Mandriva, o OpenSUSE tem uma base de usuários relativamente pequena aqui no Brasil. Parte disto se deve ao fato de, no passado, o SuSE ter sido uma distribuição fortemente comercial. O sistema não era disponibilizado para download e mesmo a compra das caixinhas era complicada, já que não existia uma filial nacional. Só com a abertura do sistema depois da compra pela Novel é que o OpenSUSE passou a recuperar o terreno perdido.

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    O Debian


    Finalmente, temos o Debian, que é provavelmente a maior distribuição Linux não-comercial, tanto em volume de desenvolvedores quanto em número de usuários, diretos e indiretos.

    O primeiro anúncio público do Debian foi feito em agosto de 1993, mas a primeira versão (chamada Buzz) foi finalizada apena em 1996. A demora se deu devido ao tempo necessário para desenvolver as ferramentas de gerenciamento de pacotes, as ferramentas de atualização do sistema e de manutenção dos repositórios e toda a metodologia de desenvolvimento que continua até hoje.

    O Debian utiliza um sistema de desenvolvimento contínuo, onde são desenvolvidas simultaneamente 3 versões, chamadas de Stable (estável), Testing (teste) e Unstable (instável). A versão estável é o release oficial, que tem suporte e atualizações de segurança freqüentes. A versão estável atual é o Etch (4.0), lançado em dezembro de 2006. Antes dele vieram o Sarge (3.1), lançado em junho de 2005; o Woody (3.0), lançado em julho de 2002, e o Potato (2.2), lançado em agosto de 2000. Atualmente, novas versões estáveis do Debian são lançadas a cada 18 meses, sendo que a próxima, chamada de Lenny, está planejada para setembro de 2008.

    A versão instável do Debian (chamada Sid) é a mais peculiar. Ela é uma eterna versão de testes, que não é finalizada nunca. Ela serve como um campo de testes para novos programas e novas versões dos pacotes já existentes, permitindo que os problemas sejam detectados e corrigidos. Ao usar o Sid, você tem acesso às versões mais recentes de todos os programas, mas, em compensação, não existe garantia de estabilidade. Um programa que funciona perfeitamente hoje pode deixar de funcionar amanhã e ser novamente corrigido na versão seguinte. Um erro em algum dos pacotes base pode fazer com que o sistema deixe de inicializar depois de atualizado e assim por diante.

    As versões estáveis do Debian são tão estáveis justamente porque ficam congeladas, recebendo apenas atualizações de segurança e correções de bugs. Diz a teoria que se você continuar corrigindo bugs em um programa, sem adicionar outros no processo, em um determinado momento você chegará a um programa livre de falhas.

    O maior problema é que, devido ao longo intervalo entre os lançamentos das versões estáveis, os pacotes acabam ficando defasados em relação a outras distribuições, que utilizam um ciclo de releases mais curto. Para amenizar o inconveniente, existe a opção de usar o Testing, que é uma prévia da próxima versão estável. Como o Testing é uma versão "incompleta", que ainda está em desenvolvimento, normalmente o utilizamos em conjunto com o Unstable, de forma que pacotes que ainda não estejam disponíveis no Testing, possam ser instalados a partir dele.

    Tipicamente, os pacotes começam no Unstable, onde recebem uma primeira rodada de testes e, depois de algumas semanas, são movidos para o Testing. Periodicamente, os pacotes no Testing são congelados, dando origem a uma nova versão estável. Além destes, existe o Experimental, usado como um laboratório para a inclusão de novos pacotes.


    Knoppix e os live-CDs


    O Debian em si é bastante espartano em termos de ferramentas de configuração e por isso é mais popular em servidores do que em desktops. Entretanto, por oferecer um repositório de pacotes incrivelmente completo, o Debian é usado como base para o desenvolvimento de inúmeras outras distribuições, que combinam os pacotes dos repositórios do Debian com personalizações, scripts e componentes adicionais, de forma a atingirem nichos específicos.

    Um exemplo de destaque é o Knoppix, cuja versão 3.0 (a primeira a ganhar notoriedade) foi lançada em julho de 2002. O Knoppix acabou se tornando um marco dentro da história do Linux por dois motivos. O primeiro é que ele foi a primeira distribuição Linux live-CD realmente utilizável, oferecendo um bom desempenho e um excelente script de autoconfiguração, que detectava o hardware da máquina durante o boot, gerando os arquivos de configuração de forma automática e entregando um sistema funcional no final do processo. Distribuições live-CD anteriores, como o DemoLinux eram muito mais lentas e impráticas de usar.

    O segundo motivo e talvez o mais importante era a possibilidade de remasterizar o CD, gerando uma distribuição personalizada. Graças a isso, o Knoppix deu origem a um enorme número de novas distribuições, como o Kanotix (que deu origem ao atual Sidux), o Morphix (que, devido à sua arquitetura modular, ajudou a criar toda uma nova família de distribuições) e o Kurumin, que desenvolvi de 2003 a 2007.

    Um live-CD é, em poucas palavras, uma versão pré-instalada do sistema, que utiliza um conjunto de truques para rodar diretamente a partir do CD-ROM. Tradicionalmente, qualquer sistema operacional precisa ser instalado no HD antes de ser usado. Você dá boot usando o CD ou DVD de instalação e é aberto um instalador (que, por sua vez, roda sobre algum sistema minimalista), que se encarrega de instalar e configurar o sistema principal. Depois de algum tempo respondendo perguntas e vendo a barra de progresso da cópia dos arquivos, você reinicia o micro e pode finalmente começar a usar o sistema. Isso é válido tanto para o Windows quanto para a maior parte das distribuições Linux.

    Para quem já se acostumou com a idéia, pode parecer natural rodar o sistema a partir do CD e até mesmo instalar novos programas sem precisar modificar as informações salvas no HD, mas, em 2002, quando o Knoppix começou a ganhar popularidade, a idéia de rodar uma distribuição Linux completa a partir do CD-ROM era considerada uma idéia exótica. Muitas pessoas só acreditavam depois de desconectar o cabo flat do HD e ver que o sistema realmente dava boot apenas com o CD-ROM. :O

    Apesar de receberam críticas por parte de alguns puristas, os live-CDs cresceram rapidamente em popularidade. O Ubuntu passou a ser um live-CD instalável a partir da versão 6.06, o Mandriva aderiu à idéia com o Mandriva Discovery (que foi sucedido pelo atual Mandriva One) e até mesmo o Fedora ganhou uma versão live-CD, o Fedora Live, sem contar o gigantesco volume de distribuições baseadas neles. Apesar do início tímido, os live-CDs dominaram o mundo.

    A base de tudo é um módulo de Kernel chamado SquashFS (nas primeiras versões do Knoppix era usado o cloop, baseado no mesmo princípio), um hack que permite que o sistema rode a partir de um sistema de arquivos compactado, gravado no CD-ROM. Os dados são descompactados "on-the-fly", conforme são necessários.

    O uso da compressão oferece duas vantagens: permitir que o sistema fique muito menor, colocando até 2 GB de dados em um CD-ROM de 700 MB, e melhorar o desempenho do sistema, aumentando a taxa de transferência efetiva do CD-ROM.

    A idéia é que um CD-ROM de 52x é capaz de ler a, em média, 5.8 MB/s, pois como o CD gira sempre na mesma velocidade, as informações gravadas nas trilhas da parte externa do CD (mais longas) são lidas a mais ou menos o dobro da velocidade das do centro (que são mais curtas). Um CD-ROM de 52x lê a 7.8 MB/s nas trilhas externas mas a apenas 3.9 MB/s nas internas. Como o CD-ROM é gravado a partir do centro, na maior parte do tempo ele lê os dados a 5 ou 6 MB/s.

    No entanto, ao ler 5 MB/s de dados compactados a uma razão de 3x, ele estará lendo, na prática, a quase 15 MB/s, um valor muito mais próximo do da taxa de transferência oferecida por um HD. Naturalmente ainda existem outros problemas, como o tempo de busca, que é muito mais alto em um CD-ROM, mas o problema principal é amenizado. Se não fosse o sistema de compressão, os live-CDs seriam três vezes maiores e três vezes mais lentos ao rodar do CD, o que os tornariam sistemas muito menos atrativos.

    Em contrapartida, por causa da compressão o trabalho do processador passa a ser maior, pois, além de processar os dados referentes aos programas, ele tem que, ao mesmo tempo, descompactar os dados lidos pelo CD-ROM. Por isso, mais do que em distribuições instaladas, o desempenho aumenta de acordo com o poder de processamento da máquina.

    A primeira etapa do boot é a tela de boas-vindas e uma linha onde você pode fornecer parâmetros para o boot. Logo depois é carregado o Kernel, que por sua vez inicializa o hardware, cria um ramdisk usando uma parte (pequena) da memória RAM onde são armazenados arquivos de configuração e outros dados que precisam ser alterados durante o uso. Depois disso entra em ação o hwsetup, o programa de detecção que, junto com um conjunto de outros scripts, se encarrega de detectar a placa de vídeo, som, rede, modem e outros periféricos suportados, exibindo mensagens que ajudam a identificar a configuração da máquina e já saber de antemão detalhes como o processador, quantidade de memória RAM e placa de vídeo instalada (imagine o caso de um técnico que instala o sistema em vários micros diferentes, por exemplo):

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    Mensagens de boot no Knoppix, mostrando detalhes sobre a máquina

    Nas primeiras distribuições live-CD, era utilizado um pequeno ramdisk (um disco virtual criado utilizando parte da memória RAM) para armazenar arquivos de configuração, o diretório home e outros arquivos do sistema que precisam ser alterados durante sua execução. Entretanto, a maior parte dos arquivos do sistema eram acessados diretamente a partir do CD-ROM, de forma que você não podia instalar novos programas nem fazer alterações em componentes do sistema enquanto ele estivesse rodando a partir do CD, devido à limitação óbvia de que o CD-ROM é uma mídia somente-leitura.

    O solução para esta última barreira veio com o UnionFS, que passou a ser usado em larga escala a partir de 2005. O UnionFS funciona de uma forma bastante engenhosa, uma daquelas idéias aparentemente simples, que resolvem problemas complexos.

    O UnionFS permite juntar dois (ou mais) diretórios em um, estabelecendo uma hierarquia entre eles. O "Union" vem justamente de "união". Temos então o arquivo compactado do CD em um nível hierárquico mais baixo, montado como somente leitura e um ramdisk, que originalmente está quase vazio, mas que vai armazenando todas as alterações. Os dois são montados em uma única pasta, que contém o conteúdo do arquivo compactado e do ramdisk.

    Na hora de ler um arquivo, o sistema verifica se existe uma versão mais recente armazenada no ramdisk, caso contrário lê no arquivo principal. Na hora de gravar, as alterações são sempre armazenadas no ramdisk, de forma automática e transparente.

    No final, você acaba podendo instalar programas via apt-get e fazer qualquer tipo de alteração no sistema, praticamente da mesma forma que se ele estivesse instalado. Naturalmente, todas as alterações são salva na memória RAM, de forma que, para realmente instalar um volume significativo de novos pacotes ou manipular grandes arquivos, você precisa ter um PC com pelo menos 1 GB de memória RAM. Em micros com pouca RAM você verá uma mensagem de "disco cheio" (quando na verdade o que acabou foi o espaço no ramdisk) ou até mesmo efeitos diversos por falta de memória RAM disponível.

    O UnionFS é usado por padrão em quase todas as distribuições live-CD atuais, incluindo o Ubuntu Desktop. Isso permite que você teste novos programas, ou até mesmo configure servidores como o Samba e o Squid com o sistema rodando a partir do CD-ROM, sem qualquer alteração nos arquivos do HD. Isso permite uma liberdade muito grande para fuçar e brincar com o sistema, já que, em caso de problemas, basta reiniciar o micro e começar de novo.


    O Ubuntu


    Também derivado do Debian, o Ubuntu é provavelmente a distribuição Linux mais usada atualmente. Ele é desenvolvido pela Ubuntu Foundation, uma organização sem fins lucrativos, que por sua vez é patrocinada pela Canonical Inc., que ganha dinheiro vendendo suporte, treinamentos e customizações do Ubuntu. Esta combinação de ONG e empresa tem dado muito certo, combinando os esforços de um sem número de voluntários e um grupo de desenvolvedores bem pagos que trabalham em tempo integral no desenvolvimento do sistema.

    Ao invés do tradicional 1.0, 2.0, 3.0, etc., o Ubuntu usa um sistema de numeração das versões bastante incomum. Os releases são numerados com base no mês e ano em que são lançados e recebem um codenome. A primeira versão oficial foi Ubuntu 4.10 (lançado em outubro de 2004), apelidado de "Warty Warthog", seguido pelo 5.04 (lançado em abril de 2005), apelidado de "Hoary Hedgehog" e pelo 5.10 (outubro de 2005), batizado de "Breezy Badger".

    Os próximos foram o 6.06 (Dapper Drake), 6.10 (Edgy Eft), 7.04 (Feisty Fawn), 7.10 (Gutsy Gibbon), 8.04 (Hardy Heron). A próxima versão será o 8.10 (Intrepid Ibex), que está previsto para outubro de 2008.

    As versões regulares do Ubuntu recebem atualizações e correções durante um período de 18 meses, de forma que você acaba sendo obrigado a atualizar o sistema a cada três versões. Como uma opção para quem quer mais estabilidade e a opção de manter o sistema por mais tempo, existem as versões LTS (long term support), que recebem atualizações por um período de 3 anos (5 anos no caso dos servidores). Elas são as versões recomendáveis para estações de trabalho e para uso em empresas.

    As versões LTS são montadas dentro de um controle de qualidade mais estrito e passam por um período de testes mais longo, resultando em versões mais estáveis. A primeira versão LTS foi o 6.06 (que receberá atualizações até junho de 2009), seguido pelo 8.04 (atualizações até abril de 2011). Se os planos não mudarem, a próxima versão LTS será o 10.04, planejado para abril de 2010.

    Nas primeiras versões, o Ubuntu era fornecido em duas versões diferentes. O "Live CD" (que rodava diretamente a partir do CD-ROM) e o "Install CD", a versão principal, que era instalada através de um instalador em modo texto, derivado do instalador do Debian Sarge:

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    A partir do 6.10 as duas versões foram unificadas. O sistema passou a ser um Live-CD (chamado de "Desktop Edition"), que pode ser instalado diretamente.

    O maior problema com o Desktop Edition é que o boot do sistema é demorado e ele fica muito lento em máquinas com menos de 512 MB de RAM. Para quem usa máquinas antigas, ou prefere instalar o sistema diretamente, sem primeiro esperar o carregamento do desktop, está disponível o "Alternate CD", que inclui os mesmos pacotes, mas é instalado através do instalador em modo texto.

    Apesar de ser distribuído em um único CD, o Ubuntu utiliza um repositório bastante completo. Ao instalar o sistema, você tem um desktop pré-configurado, contendo um conjunto básico de aplicativos, que você pode personalizar instalando pacotes adicionais. Os repositórios do Ubuntu são construídos a partir do repositório unstable do Debian, processo no qual os pacotes recebem correções diversas e são recompilados, gerando o repositório "universe".

    O Ubuntu deu origem a diversas distribuições, como o Kubuntu (baseado no KDE), o Xubuntu (baseado no XFCE) e assim por diante, que compartilham o mesmo repositório, mas são baseadas em conjuntos diferentes de pacotes.

    Está disponível também o "Server Edition", uma versão destinada a servidores, que é baseada no mesmo repositório, mas instala apenas os componentes básicos do sistema, criando uma instalação enxuta onde podem ser instalados os serviços desejados.


    Juntando as peças


    Em resumo, podemos classificar as distribuições Linux em três grandes famílias: As derivadas do Red Hat, como o Fedora e o Mandriva, as derivadas do Debian, como o Ubuntu e o Kubuntu e as derivadas do Slackware, como o Slax.

    Apesar das diferenças estéticas, distribuições da mesma família são muito similares na organização dos arquivos, gerenciamento de pacotes, localização dos arquivos de configuração e assim por diante, de forma que é mais fácil para alguém acostumado com o Debian migrar para o Ubuntu, que faz parte da mesma família, do que migrar para o Fedora, por exemplo, que tem raízes completamente diferentes.

    Você pode ver uma tabela mais completa com as origens de cada distribuição neste link do Distrowatch: http://distrowatch.com/dwres.php?resource=independence

    Entre as distribuições nacionais, temos o Kurumin NG (baseado no Kubuntu), o DreamLinux (baseado no Debian), o Big Linux (baseado no Ubuntu), o BrDesktop (baseado no Debian Stable) e o GoblinX (baseado no Slackware).

    No total, existem mais de 500 distribuições Linux sendo desenvolvida ativamente. Se incluirmos também as distribuições descontinuadas, o número sobe para mais de 2.000. Basicamente, qualquer pessoa ou empresa com tempo e conhecimentos suficientes pode desenvolver uma distribuição, tomando como base outra distribuição já existente como ponto de partida. O enorme volume de distribuições é ao mesmo tempo o principal defeito e o principal atrativo do Linux.

    Defeito no sentido de que a falta de um sistema "padrão" (como no caso do Windows) gera confusão e retarda a adoção do sistema em muitos nichos e atrativo no sentido de que é justamente o grande número de distribuições e o processo de seleção natural que ocorre naturalmente entre elas que faz com que o sistema evolua tão rapidamente e seja capaz de se adaptar a ambientes tão diferentes.





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