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    Chipsets e placas, parte 1

    Tutoriais

    O chipset é de longe o componente mais importante da placa mãe. Excluindo o chipset, a placa mãe não passa de um emaranhado de trilhas, conectores, reguladores de tensão e controladores diversos. Placas que utilizam o mesmo chipset, tendem a ser muito semelhantes, mesmo quando fabricadas por fabricantes diferentes. Assim como os processadores, os chipsets evoluíram de forma surpreendente nas últimas décadas. Este tutorial mostra os principais modelos, assim como placas baseadas neles. Carlos E. Morimoto
    17/05/2007



    Leia também:
    Tutorial: Chipsets, parte 2: Pentium 4 (soquete 423 e soquete 478)

    As versões iniciais do Pentium 4 utilizavam o soquete 423, que foi rapidamente substituído pelo soquete 478, introduzido com o lançamento do Pentium 4 com core Northwood. Apesar de diferentes fisicamente, os dois soquetes são muito similares eletricamente, de forma que compartilham a mesma linha de chipsets. Nesta segunda parte do tutorial de chipsets, vamos examinar com detalhes os chipsets da série Intel 800, além de chipsets da SiS, VIA, ATI e Ali para o Pentium 4. Por Carlos E. Morimoto
    http://www.guiadohardware.net/tutoriais/chipsets-p4/

    Nos primeiros PCs, os chips controladores da placa mãe ficavam espalhados em diversos pontos da placa. Não é preciso dizer que este design não era muito eficiente, já que mais componentes significa mais custos. Com o avanço da tecnologia, os circuitos passaram a ser integrados em alguns poucos chips. Isto trouxe duas grandes vantagens: a primeira é que, estando mais próximos, os componentes podem se comunicar a uma velocidade maior, permitindo que a placa mãe seja capaz de operar a freqüências mais altas. As segunda é a questão do custo, já que produzir dois chips (mesmo que mais complexos) sai mais barato do que produzir vinte.

    Muitas vezes, temos a impressão de que novas tecnologias, sobretudo componentes miniaturizados são mais caros, mas, na maior parte dos casos, o que acontece é justamente o contrário. Produzir chips utilizando uma técnica de 45 nanometros é mais barato do que produzir utilizando uma técnica antiga, de 90 ou 180 nanometros, pois transistores menores permitem produzir mais chips por waffer, o que reduz o custo unitário. Numa técnica de 180 nanometros (0.18 micron), temos transistores 16 vezes maiores que ao utilizar uma técnica de 45 nanometros. Isso significa que, utilizando aproximadamente o mesmo volume de matéria prima e mão de obra, é possível produzir quase que 16 vezes mais chips.

    É bem verdade que migrar para novas tecnologias implica num grande custo inicial, já que a maior parte do maquinário precisa ser substituído. Os fabricantes aproveitam o impulso consumista do público mais entusiasta para vender as primeiras unidades muito mais caro (o que cria a impressão de que a nova tecnologia é mais cara), mas, uma vez que os custos iniciais são amortizados, os produtos da nova geração acabam custando o mesmo, ou menos que os anteriores, mesmo incluindo mais funções.

    Assim como os demais componentes, os chipsets evoluíram e incorporaram mais funções. Nos micros 386, até mesmo as interfaces IDE e portas seriais eram adicionadas através de placas adicionais, enquanto a maioria das placas atuais oferece, além das interfaces básicas, também interfaces vídeo, som e rede onboard. Ou seja, oferecem a um custo muito baixo funções que antes precisavam ser adicionadas através de placas extras.

    A grande maioria dos chipsets segue o projeto tradicional, onde as funções são divididas em dois chips, chamados de porte norte (north bridge) e ponte sul (south bridge). Nos últimos anos esta designação anda um pouco de moda, com os fabricantes adotando nomes pomposos, mas ainda pode ser utilizada como uma definição genérica.

    A ponte norte é o chip mais complexo, que fica fisicamente mais próximo do processador. Ele incorpora os barramentos "rápidos" e funções mais complexas, incluindo o controlador de memória, as linhas do barramento PCI Express, ou o barramento AGP, além do chipset de vídeo onboard, quando presente.

    As placas para processadores AMD de 64 bits não possuem o controlador de memória, já que ele foi movido para dentro do processador. Nas placas atuais, a ponte norte do chipset é sempre coberta por um dissipador metálico, já que o chip responde pela maior parte do consumo elétrico e, consequentemente da dissipação de calor da placa mãe. Em alguns casos, os fabricantes chegam a utilizar coolers ou até mesmo heat-pipes para refrigerá-lo:
    index_html_m6daa451Ponte norte do chipset

    A ponte sul é invariavelmente um chip menor e mais simples que o primeiro. Mas placas atuais ele incorpora os barramentos mais lentos, como o barramento PCI, portas USB, SATA e IDE, controladores de som e rede e também o controlador Super I/O, que agrupa portas "de legado", como as portas seriais e paralelas, porta para o drive de disquete e portas do teclado e mouse (PS/2).
    index_html_m51a6d46Ponte sul

    É comum que os fabricantes adicionem funções adicionais ou substituam componentes disponíveis na ponte sul incluindo controladores externos. Com isso, podem ser adicionadas portas SATA ou IDE adicionais, o controlador de audio pode ser substituído por outro de melhor qualidade ou com mais recursos, uma segunda placa de rede onboard pode ser adicionada e assim por diante. Entretanto, com pouquíssimas excessões, as funções da ponte norte do chipset não podem ser alteradas. Não é possível adicionar suporte a mais linhas PCI Express ou aumentar a quantidade de memória RAM suportada (por exemplo) adicionando um chip externo. Estas características são definidas ao escolher o chipset no qual a placa será baseada.

    Embora incorpore mais funções (em número) as tarefas executadas pela ponte sul são muito mais simples e os barramentos ligados a elas utilizam menos trilhas. Normalmente, os fabricantes utilizam as tecnologias de produção mais recente para produzir a ponte norte, passando a produzir a ponte sul utilizando máquinas ou fábricas mais antigas.

    No caso de um fabricante que produz de tudo, como a Intel ou a AMD, é normal que existam três divisões. Novas técnicas de produção são usadas para produzir processadores, a geração anterior passa a produzir chipsets e chips de memória, enquanto uma terceira continua na ativa, produzindo chips menos importantes e controladores diversos. Isso faz com que o preço dos equipamentos seja melhor amortizado. No final, o maquinário obsoleto (a quarta divisão) ainda acaba sendo vendido para fabricantes menores, de forma que nada seja desperdiçado. :)

    Nos antigos chipsets para placas soquete 7 e slot 1, como o Intel i440BX e o Via Apollo Pro, a ligação entre a ponte norte e ponte sul do chipset era feita através do barramento PCI. Isso criava um grande gargalo, já que ele também era utilizado pelas portas IDE e quase todos os demais periféricos. Nestas placas, até mesmo o barramento ISA era ligado no sobrecarregado barramento PCI, através de um chip conversor, o PCI-to-ISA bridge.

    Nas placas atuais, a ligação é feita através de algum barramento rápido (muitas vezes proprietário) que permite que a troca de informações seja feita sem gargalos. Não existe uma padronização para a comunicação entre os dois chips, de forma que (com poucas excessões), os fabricantes de placas mãe não podem utilizar a ponte norte de um chipset em conjunto com a ponte sul de outro, mesmo que ele seja mais barato ou ofereça mais recursos.

    O chipset é de longe o componente mais importante da placa mãe. Excluindo o chipset, a placa mãe não passa de um emaranhado de trilhas, conectores, reguladores de tensão e controladores diversos. Placas que utilizam o mesmo chipset, tendem a ser muito semelhantes, mesmo quando fabricadas por fabricantes diferentes.

    Devido à diferenças no barramento e outras funções, o chipset é sempre atrelado a uma família de processadores específica. Não é possível desenvolver uma placa mãe com um chipset AMD que seja compatível com processadores Intel, por exemplo.

    Como o chipset é também o componente mais caro da placa mãe, ele também é um indicador da qualidade geral da placa, já que placas com chipsets baratos, sobretudo as com os modelos mais simples da SiS e VIA tendem a ser "baratas" também em outros aspectos. Por outro lado, é raro que um fabricante utilize um chipset mais caro, da Intel ou nVidia, em uma placa de segunda linha.

    Vamos então a um resumo dos principais chipsets utilizados dos micros Pentium até os dias de hoje.


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