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    Dicas: particionamento

    Instalação, particionamento e solução de problemas no Kurumin

    Carlos E. Morimoto
    28/02/2007


    Mais dicas de instalação


    No tópico sobre instalação, passei batido pela parte de particionamento e configuração do gerenciador de boot, abordando os dois temas de forma superficial. O motivo é que, na maioria dos casos, você não precisa se preocupar em configurar o grub manualmente (já que o instalador se encarrega disso), nem usar as opções mais avançadas dos programas de particionamento. Vamos agora ver tudo isso com mais detalhes, começando com o uso do cfdisk e do gparted para particionar o HD ou modificar as partições existentes e em seguida entender melhor a configuração do grub e aprender a solucionar problemas.

    Além de escolher entre os dois durante a instalação do sistema, você pode encontrar o gparted e o cfdisk no Iniciar > Sistema > Particionamento. Mesmo em casos onde você não pretende instalar o Kurumin, você pode dar boot pelo CD e usá-los para particionar o HD para a instalação de outros sistemas. Você pode até mesmo criar partições NTFS ou FAT32 para a instalação do Windows.
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    Particionando com o cfdisk


    O cfdisk é um programa simples, de modo texto. Se você é iniciante, vai se sentir mais confortável usando o gparted, mas é sempre bom conhecê-lo, pois ele é uma ferramenta padrão, que você encontra em praticamente qualquer distribuição Linux.

    O cfdisk usa uma interface de modo texto, bastante similar à do fdisk do Windows 98 e de outros programas de particionamento da velha guarda. Quem é das antigas, acaba se sentindo bastante confortável com ele. Embora simples, o cfdisk é um programa bastante robusto e confiável, por isso continua sendo o preferido por muitos, mesmo depois do surgimento do gparted e de outros particionadores mais amigáveis.
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    Dentro do cfdisk, use as setas para cima e para baixo para selecionar uma partição ou trecho de espaço livre, as setas para a direita e esquerda para navegar entre as opções e a tecla Enter para selecionar. As opções disponíveis incluem:

    • Delete: Deletar uma partição, transformando-a em espaço livre. Use esta opção para deletar partições já existentes no HD para poder criar novas.
    • Create: Cria uma partição usando um trecho de espaço livre. O assistente perguntará sobre o tamanho da partição, em MB. Você terá ainda a opção de criar uma partição primária e uma partição estendida.
    Lembre-se de que você pode criar no máximo quatro partições primárias, mas, por outro lado, pode criar até 255 partições estendidas. Todas as versões do Windows e do DOS exigem que sejam instaladas em uma partição primária, mas no Linux não existe esta limitação. Você pode criar quantas partições for necessário e instalar o Kurumin em qual delas preferir.
    • Maximize: Redimensiona uma partição, para que ela ocupe todo o espaço disponível no HD. O processo não é destrutivo, pois o sistema simplesmente adiciona o espaço adicional no final da partição, sem mexer no que está gravado. Mas, de qualquer forma, é sempre saudável fazer um backup.
    • Type: Altera o sistema de arquivos da partição (Linux, FAT, Linux Swap, etc.). Lembre-se de que você deve ter no mínimo uma partição Linux e outra Linux Swap para instalar o Kurumin.
    • Bootable: Esta é mais uma opção necessária para partições do Windows ou DOS, mas não para o Linux. Mas a regra básica é que, ao usar várias partições, a partição onde o sistema operacional está instalado deve ser marcada com este atributo.
    • Write: Salva as alterações.
    • Quit: Depois de fazer as alterações necessárias e salvar, só falta sair do programa ;).

    Basicamente, ao usar o cfdisk você deve criar pelo menos duas partições, uma maior para instalar o sistema e outra menor, de 500 MB ou 1 GB, para a memória swap. Ao deletar uma partição antiga você seleciona o trecho de espaço livre e acessa a opção Create para criar uma partição Linux para a instalação do sistema. Para criar a partição swap, você repete o procedimento, criando uma segunda partição Linux, mas em seguida você acessa a opção Type e pressiona Enter duas vezes para que o cfdisk a transforme em uma partição swap. Criadas as duas partições, é só salvar e sair.

    O cfdisk não oferece nenhuma opção para redimensionar partições. Para isso você deve usar o gparted ou outro particionador com que tenha familiaridade. Muita gente utiliza o Partition Magic por já conhecê-lo do Windows, mas, dentro da minha experiência, o gparted é muito mais confiável que ele. O gparted é baseado no parted, um particionador aberto, que recebe muitas contribuições e melhorias e tem eventuais bugs corrigidos muito rapidamente. O Partition Magic, por sua vez, é uma caixa preta que ninguém sabe bem como funciona e é desenvolvido por uma equipe pequena, que com certeza não tem como testá-lo em muitas situações reais.

    Continuando, o cfdisk deve ser usado apenas se você deseja deletar ou criar partições no HD. Se você quer apenas instalar o Kurumin em uma partição que já existe (mesmo que seja uma partição do Windows ou que esteja formatada em outro sistema de arquivos qualquer), pode dispensar o cfdisk, basta sair sem fazer nada. A formatação propriamente dita é feita mais adiante, durante a instalação.

    Alguns programas de particionamento (como o do instalador usado nas versões antigas Mandrake) criam tabelas de partição que não são entendidas pelo cfdisk. Neste caso, ao abrir o cfdisk você receberá uma mensagem de erro sobre a tabela de partição. Isso não significa necessariamente que exista algo errado com o particionamento do HD, apenas que o cfdisk não conseguiu entender a tabela de partição atual.

    Isso é perfeitamente normal, basta pressionar Enter para fechar o cfdisk e prosseguir com a instalação. O único problema neste caso é que você terá que recorrer a outro programa (o ideal neste caso é usar o mesmo programa que usou originalmente) para reparticionar o HD.

    Se você quer apenas usar o cfdisk para reformatar o HD, sem se preocupar com os dados, você pode fazer o cfdisk eliminar a tabela de partição do HD, criando uma nova tabela em branco. Esta opção é perigosa (vai apagar todos os dados), por isso não foi incluída no instalador. Se você quiser usá-la, abra um terminal, logue-se como root (usando o "su -") e chame o comando "cfdisk -z /dev/hda" (onde o "/dev/hda" é o HD que será zerado). Ele vai zerar a tabela de particionamento, permitindo que você particione o disco a seu gosto.

    Particionando com o gparted


    O gparted é um particionador gráfico, bem mais amigável. Ao usá-lo, é importante observar que todas as partições do HD devem estar desmontadas, ou seja, elas não devem estar em uso. Ao dar boot com o CD do Kurumin, todas as partições ficam desativadas por padrão. Elas são montadas quando você clica sobre os ícones das partições dentro do "Meu Computador" para ver os arquivos. Para desmontá-las, clique com o botão direito sobre o ícone e acione a opção "Desmontar".

    Na tela principal, você verá um "mapa" do HD, com todas as partições disponíveis e pode criar, deletar e redimensionar partições a partir dele. Neste exemplo, tenho uma partição Windows de 6 GB, formatada em NTFS, onde apenas 1.4 GB estão usados (a parte que aparece em amarelo no "mapa"). É possível redimensionar a partição, reduzindo seu tamanho para algo próximo do espaço ocupado, deixando-a com 2 ou 3 GB, por exemplo.
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    Você pode usar o gparted para redimensionar a partição do Windows e liberar espaço para o Kurumin. Ele é capaz de redimensionar tanto partições FAT32 quanto partições em NTFS. A única exigência é que antes de redimensionar você deve primeiro desfragmentar a partição-alvo (reinicie e use o defrag do próprio Windows). Caso a partição não esteja desfragmentada ou contenha erros, ele aborta a operação para evitar qualquer possibilidade de perda de dados.

    Para redimensionar, clique na partição e em seguida sobre a opção "Redimensionar/Mover", onde você pode ajustar o novo tamanho da partição.
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    As alterações não são feitas automaticamente. Depois de revisar tudo clique no "Aplicar" para que as modificações sejam aplicadas. O gparted utiliza vários outros programas para checar as partições e fazer o trabalho pesado. Clique no botão "Details" para ver os passos que estão sendo executados.

    O gparted tem como principal objetivo evitar perda de dados, de forma que sempre que ele encontra algum problema na partição, a operação é abortada. O problema mais comum ao redimensionar partições Windows é o fato da partição estar fragmentada. O gparted não tenta mover arquivos dentro da partição, ele apenas altera seu tamanho. Se houver arquivos gravados no final da partição, ele se recusará a tentar redimensioná-la, para evitar que estes arquivos sejam perdidos. Para corrigir o problema, volte ao Windows e desfragmente a partição.

    Depois de concluído, você ficará com um bloco cinza, que representa espaço livre, não particionado. Para criar uma nova partição, clique com o botão direito sobre ele e em seguida sobre o botão "Novo".

    Na tela seguinte você pode escolher o sistema de arquivos em que a partição será formatada, seu tamanho e também se ela deve ser criada como uma partição primária ou uma partição lógica. Lembre-se de que você só pode criar quatro partições primárias, ou até três primárias e uma estendida, com várias partições lógicas dentro dela. Ao terminar, clique no "Adicionar" para concluir a alteração.

    As alterações são aplicadas apenas ao clicar sobre o "Aplicar", de forma que se você mudar de idéia, basta usar o "Desfazer".
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    A partição swap não é realmente obrigatória, você até pode passar sem ela se tiver 512 MB de RAM ou mais. Porém, mesmo com bastante memória RAM, é recomendável usar uma partição swap, pois ela permite que o sistema remova bibliotecas e arquivos que não estão sendo usados da memória, em caso de necessidade, deixando mais memória livre para rodar os aplicativos nos momentos em que você estiver rodando muita coisa ao mesmo tempo e o PC estiver sofrendo para acompanhá-lo :).

    Muita gente tem uma imagem errada do uso da memória swap por causa da forma burra como ela é gerenciada no Windows 98. Nele, mesmo com muita memória disponível, o sistema insiste em fazer swap, prejudicando o desempenho e tornando as respostas do sistema muito mais lentas. No caso do Linux, o gerenciamento é feito de forma muito mais inteligente, pois o sistema leva vários fatores em conta na hora de decidir se usa ou não usa swap, utilizando-a apenas em casos de real necessidade. De uma forma geral, a swap é usada apenas em situações onde seu uso vai melhorar o desempenho do sistema.

    Usar swap para melhorar o desempenho parece paradoxal. Afinal, a swap é centenas de vezes mais lenta que a memória RAM e tudo que é colocado nela demora muito tempo para ser reavido. Entretanto, quando você abre muitos aplicativos e a memória RAM começa a acabar, mover para a swap arquivos e bibliotecas que possuem pouca chance de serem usados novamente faz sentido, pois libera memória para uso dos aplicativos que você realmente está usando.

    Outra coisa a levar em consideração é o cache de disco, espaços de memória que são usados para copiar informações que são freqüentemente lidas no HD, de forma a agilizar o acesso a elas. Você pode ver isso funcionando na prática: abra uma janela do OpenOffice ou o Firefox. Da primeira vez demora um pouco para carregar. Feche a janela e abra novamente. Da segunda vez já demorou bem menos, não é?

    Isso acontece justamente porque na segunda abertura o sistema acessou boa parte das informações a partir do cache, ao invés de ter de ler tudo novamente a partir do HD ou CD. O cache de disco é um recurso que acelera absurdamente o tempo de carregamento dos programas e arquivos. Com mais memória disponível, o sistema pode fazer mais cache, melhorando perceptivelmente o desempenho.

    A terceira questão é que sem swap o sistema não tem para onde correr em situações nas quais você precisa abrir muitos programas ou executar alguma tarefa que realmente use toda a memória disponível. Sem memória, o sistema vai começar a ficar lento e, em situações mais extremas, os aplicativos começarão a fechar por falta de memória.

    Se você tiver bastante espaço disponível no HD, crie uma partição swap de 1 GB ou mais. Se o espaço estiver racionado, crie uma partição menor, de 300 ou 500 MB. O ideal é que a partição swap seja maior em micros com pouca RAM e menor em micros com mais memória.

    Para criar a partição swap no gparted, escolha "linux-swap" no campo "Sistema de Arquivos".
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    Uma dica é que o gparted também pode ser usado para criar partições FAT32 e NTFS do Windows. Ou seja, você pode usá-lo também para particionar um HD para a instalação do Windows ao invés daqueles ultrapassados disquetes de boot do Windows 98. Basta dar um boot com o Kurumin :).

    Em muitos micros é preciso reiniciar depois de modificar o particionamento do HD para que o sistema seja capaz de perceber as alterações. A limitação neste caso é o BIOS da placa-mãe, que em muitos casos só é capaz de ler a tabela de partições do HD durante o boot. Se o instalador reclamar que não existem partições Linux disponíveis, mesmo que você tenha feito tudo corretamente, é provável que este seja seu caso. Reinicie e comece novamente a instalação, dessa vez passando batido pela parte de particionamento.


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