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    Dominando a linha de comando, parte 2

    Tutoriais

    Ter fluência no uso da linha de comando é um pré-requisito para qualquer bom administrador. Usar o prompt é, de certa forma, muito parecido com aparecer uma segunda língua. Nesta segunda parte do tutorial, veremos dicas sobre os editores de texto, gerenciamento de usuários, gerenciamento de processos e recuperação do sistema em casos de problemas no boot.Carlos E. Morimoto
    04/07/2008



    Ao trabalhar com a configuração manual dos serviços, o editor de textos acaba sendo sua principal ferramenta de trabalho. Existem inúmeros editores de texto no Linux, boa parte deles são voltados para programação, com suporte a reconhecimento de sintaxe e diversas outras funções úteis para programação, mas também existem editores mais simples, destinados a quem quer simplesmente editar e salvar arquivos de texto, sem muita firula.

    Alguns exemplos de editores gráficos comumente usados são o kedit e kwrite no KDE, e o gedit no Gnome. O grande problema com eles é que eles são ferramentas gráficas, que não estarão disponíveis quando você estiver configurando um servidor sem o ambiente grpafio instalado via SSH. Chegamos então aos editores de texto puro, como o joe, nano, mcedit e o vi.

    Em qualquer um deles, a sintaxe básica é o comando do editor seguido pelo arquivo que deseja editar, como em:

    # joe /etc/fstab
     

    O mais simples é o mcedit. Ele faz parte do pacote "mc", que é encontrado em todas as distribuições. Ele normalmente não vem instalado por padrão, mas você resolve isso rapidamente instalando o pacote manualmente, como em:

    # apt-get install mc
     

    No mcedit as funções são acessadas usando as teclas F1 a F10, com uma legenda mostrada na parte inferior da tela. Para salvar você pressiona F2 e para sair, F10. Ele é provavelmente o editor mais fácil de usar, a grande limitação é que ele não permite que você cole texto de outras janelas usando o botão do meio do mouse, um recurso extremamente útil ao copiar exemplos e modelos de configuração.

    O joe é um meio termo. Ele é um editor simples e leve, muito parecido com o antigo Wordstar do DOS e usa as mesmas teclas de atalho que ele. Para salvar o arquivo e sair, você pressiona "Ctrl+K" e depois "X", para salvar sem sair o atalho é "Ctrl+K" seguido de "D". Para sair descartando as alterações, pressione "Ctrl+C", para abrir a janela de ajuda, com os atalhos para as demais funções pressione "Ctrl+K", "H" e, novamente "Ctrl+K", "H" para fechá-la.

    O nano é outro editor de texto simples e leve, daí o nome. Para salvar e sair, pressione "Ctrl+X", depois "S" e Enter, para sair sem salvar pressione "Ctrl+X" e "N" e, para apenas salvar, use o "Ctrl+O". Assim como o mcedit, o joe e o nano não vêm pré-instalados na maioria das distribuições, mas você pode instalá-los rapidamente usando o gerenciador de pacotes, como em:

    # apt-get install joe nano

    Finalmente, temos o vi, que por algum motivo conquistou um grupo de usuários fiéis ao longo de seus quase 30 anos de vida e, graças eles, continua vivo até hoje, muito embora seja um dos editores menos amigáveis.

    O vi tem três modos de operação: comando, edição e o modo ex. Ao abrir o programa, você estará em modo de comando; para começar a editar o texto, pressione a tecla "i". A partir daí, ele funciona como um editor de textos normal, onde o Enter insere uma nova linha, as setas movem o cursor, etc.

    Quando terminar de editar o arquivo, pressione "Esc" para voltar ao modo de comando e em seguida "ZZ" (dois Z maiúsculos) para salvar o arquivo e sair. Para sair sem salvar pressione Esc e digite ":q!" (exatamente como aqui, dois pontos, quê, exclamação, seguido de Enter). Uma segunda opção para salvar e sair é pressionar Esc seguido de ":wq". Para apenas salvar, sem sair, pressione Esc seguido de ":w" e para sair sem salvar use o Esc seguido de ":q!".

    Resumindo, o Esc faz com que o vi volte ao modo de comando, o ":" nos coloca no modo ex, onde podemos salvar e fechar, entre outras funções. O "q" fecha o programa, o "w" salva o arquivo e o "!" é uma confirmação.

    Embora não seja exatamente pequeno (se comparado a editores mais simples, como o joe ou o nano), muito menos fácil de usar, o vi é praticamente o único editor que pode ser encontrado em qualquer distribuição.

    Uma observação é que o Debian o Ubuntu e outras distribuições derivadas deles utilizam o nvi como editor padrão, no lugar do vi tradicional. Ele se comporta de forma estranha e é bastante improdutivo. Se você gosta do vi, recomendo que instale o vim, que é a versão completa do editor:

    # apt-get install vim

    Continuando, ao sair do editor, volta para o terminal. Você pode verificar se o arquivo realmente foi salvo corretamente usando o cat, como em "cat /etc/fstab". No caso de arquivos longos, acrescente "| more", que permite ler uma página de cada vez, como em "cat /var/log/syslog | more".



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