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    Instalando

    Samba, parte 1: Instalação e configuração usando o swat

    Carlos E. Morimoto
    27/11/2007


    Como comentei a pouco, o Samba é dividido em dois módulos. O servidor propriamente dito e o cliente, que permite acessar compartilhamentos em outras máquinas (tanto Linux quanto Windows). Os dois são independentes, permitindo que você mantenha apenas o cliente instalado num desktop e instale o servidor apenas nas máquinas que realmente forem compartilhar arquivos. Isso permite melhorar a segurança da rede de uma forma geral.

    Os pacotes do Samba recebem nomes um pouco diferentes nas distribuições derivadas do Debian e no Fedora e outras distribuições derivadas do Red Hat. Veja:

    Pacote Debian Fedora

    Servidor: samba samba
    Cliente: smbclient samba-client
    Documentação samba-doc samba-doc
    Swat: swat samba-swat

    Para instala-lo no Debian ou Ubuntu, por exemplo, você usaria:

    # apt-get install samba smbclient swat samba-doc

    O script de instalação faz duas perguntas. A primeira é se o servidor deve rodar em modo daemon ou sob o inetd. Responda "daemons" para quer o servidor rode diretamente. Isso garante um melhor desempenho, melhor segurança e evita problemas diversos de configuração relacionados ao uso do inetd, serviço que está entrando em desuso.

    Em seguida ele pergunta: "Gerar a base de dados para senhas /var/lib/samba/passdb.tdb?". É importante responder que "Sim", para que ele crie o arquivo onde serão armazenadas as senhas de acesso. Como explica o script, "Caso você não o crie, você terá que reconfigurar o samba (e provavelmente suas máquinas clientes) para utilização de senhas em texto puro", o que é um procedimento trabalhoso, que consiste em modificar chaves de registro em todas as máquinas Windows da rede e modificar a configuração de outros servidores Linux. Muito mais fácil responder "Sim" e deixar que ele utilize senhas encriptadas, que é o padrão. :)

    Lembre-se de que você deve instalar todos os pacotes apenas no servidor e em outras máquinas que forem compartilhar arquivos. O Swat ajuda bastante na etapa de configuração, mas ele é opcional, pois você pode tanto editar manualmente o arquivo smb.conf, quanto usar um arquivo pronto, gerado em outra instalação. Nos clientes que forem apenas acessar compartilhamentos de outras máquinas, instale apenas o cliente.

    O Fedora inclui mais um pacote, o "system-config-samba", um utilitário de configuração rápida, que permite criar e desativar compartilhamentos de forma bem prática. Outro configurador rápido é o módulo "Internet & Rede > Samba", disponível no Painel de Controle do KDE. Neste tutorial abordo apenas o swat, que é o configurador mais completo, mas você pode lançar mão destes dois utilitários para realizar configurações rápidas.

    Com os pacotes instalados, use os comandos:

    # /etc/init.d/samba start
    # /etc/init.d/samba stop

    ... para iniciar e parar o serviço. Por padrão, ao instalar o pacote é criado um link na pasta "/etc/rc5.d", que ativa o servidor automaticamente durante o boot. Para desativar a inicialização automática, use o comando:

    # update-rc.d -f samba remove

    Pata reativá-lo mais tarde, use:

    # update-rc.d -f samba defaults

    No Fedora e Mandriva, os comandos para iniciar e parar o serviço são:

    # service smb start
    # service smb stop

    Para desabilitar o carregamento durante o boot, use o "chkconfig smb off" e, para reativar, use o "chkconfig smb on". Note que, em ambos, o pacote de instalação se chama "samba", mas o serviço de sistema chama-se apenas "smb".

    É sempre recomendável utilizar os pacotes que fazem parte da distribuição, que são compilados e otimizados para o sistema e recebem atualizações de segurança regularmente. De qualquer forma, você pode encontrar também alguns pacotes compilados por colaboradores no http://samba.org/samba/ftp/Binary_Packages/, além do código fonte, disponível no http://samba.org/samba/ftp/stable/. Ao instalar a partir do fonte o Samba é instalado por default na pasta "usr/local/samba", com os arquivos de configuração na pasta "/usr/local/samba/lib".

    Este texto é baseado no Samba 3 que, enquanto escrevo, é a versão estável, recomendada para ambientes de produção. O Samba 3 trouxe suporte ao Active Directory, passou a ser capaz de atuar como PDC, trouxe muitas melhorias no suporte a impressão e inúmeras outras melhorias em relação à série 2.x.

    O Samba 3.0.0 foi lançado em setembro de 2003, ou seja, a mais de 4 anos. Comparado com os ciclos de desenvolvimento das distribuições Linux, que são em sua maioria atualizadas a cada 6 ou 12 meses, 4 anos podem parecer muita coisa, mas se compararmos com os ciclos de desenvolvimento de novas versões do Windows, por exemplo, os ciclos parecem até curtos :). Para efeito de comparação, o Samba 2, o major release anterior foi lançado em 1999 e o Samba 4 está em estágio de desenvolvimento, ainda sem previsão de conclusão.

    Por ser um software utilizado em ambientes de produção, novas versões do Samba são exaustivamente testadas antes de serem consideradas estáveis e serem oficialmente lançadas. Graças a isso, é muito raro o aparecimento de bugs graves e, quando acontecem, eles costumam ser corrigidos muito rapidamente.

    Naturalmente, as versões de produção continuam sendo atualizadas e recebendo novos recursos. Entre o Samba 3.0.0 lançado em 2003 e o Samba 3.0.24 incluído no Debian Etch, por exemplo, foram lançadas nada menos do que 28 minor releases intermediários. Se tiver curiosidade em ler sobre as alterações em cada versão, pode ler o change-log de cada versão no: http://samba.org/samba/history/.

    Você pode verificar qual é a versão do Samba instalada usando o comando "smbd -V", como em:

    # smbd -V

    Version 3.0.24

    Ao usar qualquer distribuição atual, muito provavelmente Você encontrará o Samba 3.0.23 ou superior. Se por acaso você estiver usando alguma distribuição muito antiga, que ainda utilize uma versão do Samba anterior à 3.0.0, recomendo que atualize o sistema, já que muitos dos recursos que cito ao longo do texto, sobretudo o uso do Samba como PDC não funcionam nas versões da série 2.x.

    Para usar o Samba em conjunto com estações rodando o Windows Vista, você deve utilizar o Samba versão 3.0.22, ou superior, ou configurar as estações com o Vista para permitirem o uso do sistema NTLM, o que é feito através do utilitário "secpol.msc" em Diretivas locais > Opções de segurança > Segurança de rede: nível de autenticação Lan Manager, alterando o valor da opção de "Enviar somente resposta NTLMv2" para "Enviar LM e NTLM - use a segurança da sessão NTLMv2, se negociado".



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